Numa destas noites, já mais para lá do que para cá, dei letra a um gajo qualquer num bar. Dei porque gosto de conhecer pessoas e ele até tinha uma conversa interessante. Mas o meu interesse por ele, não ia além disso. Razão pela qual, saiu disparado do bar e com cara de poucos amigos, quando ele, lampeiro, avançou, e eu lhe dei um chega-para-lá daqueles.
Acho que eles ainda não se aperceberam que nós, mulheres, funcionamos de forma diferente. E, se eles não sabem, também não sou eu que lhes vou dizer.
Esta mania deles se aproximarem de nós sempre com a mesma ladainha já cansa. Somos sempre o máximo: a mais bela, a mais inteligente, a mais simpática, a mais engraçada, blá blá blá... Isto enquanto o jogo lhes é favorável. Mas, tal como no futebol, à primeira derrota, passamos de bestiais a bestas: manipuladora, perigosa, mau feitio, caprichosa, etc.
Eu, há muito, que perdi a pachorra para estes joguinhos de segunda divisão. Antigamente, dava-lhes corda, gostava de ver até onde eles eram capazes de ir. E aproveitava para massajar o ego. Mas agora, à primeira oportunidade, ponho logo os pontos nos "is": "só te vejo como um amigo." O que, traduzido para linguagem comum, significa "vamos ter uma relação só não haverá sexo". Costuma ser certinho.
Os mais persistentes ainda tentam dar a volta ao resultado, tentam empalear, ir a prolongamento e, quiçà, a penalties. Mas comigo, não cola! Estas coisas sentem-se. Ou há química, ou não há.
Se não houver química mas houver física, o assunto é de solução muito fácil. É só dar o corpo ao manifesto. Tiro e queda.
Mas a coisa complica-se quando entra no campo da físico-química, provoca um curto circuito interno e eu perco-me por completo. A gaja segura e determinada que sou, desaparece. E, no seu lugar, surge uma menina insegura e cheia de dúvidas. Sempre foi e sempre será. Por isso é que fujo de situações destas a sete pés. Assim que vislumbro o perigo, abre, que se faz tarde.
Quando quiserem saber qual é o gajo que mexe comigo, é fácil, é aquele que eu ignoro. Aquele com quem não mantenho contacto visual e com quem não troco duas palavras sequer. Ridículo, huh?!
O mais curioso nesta questão toda à volta dos gajos não conseguirem (não quererem e não precisarem) manter uma relação somente de amizade com uma mulher, é quando as relações chegam ao fim e tentam espetar o discurso "podemos ficar amigos". Que, traduzido para linguagem corrente significa "não vamos ter uma relação mas vamos ter sexo". E, infelizmente, a maior parte das gajas cai, porque continuam a ver o sexo unicamente como um acto de amor. Não sabem distinguir as coisas. Algumas delas, ainda não se aperceberam que, como disse um amigo meu, "há foder, há sexo e há amor".
Se a relação não funcionou enquanto durou, acham mesmo que vai funcionar depois de acabar?! Socorro!
É atribuído às mulheres o sexto sentido. Mas há algo que eu não compreendo: como é que os defuntos adivinham quando nos estamos a interessar por alguém e resolver voltar para nos assombrar? Reaparecem sempre naquela alturinha certa! Impressionante!
Claro que estas coisas são claras e muito fáceis de ver quando se passam com os outros. Quando é connosco, a coisa complica bastante. É nestas alturas que as amigas têm um papel importante.
Neste momento estou capaz de saltar ao pescoço de um amigo meu pelo que ele está a fazer sofrer uma amiga minha. E estou capaz de abrir a cabeça à minha amiga e obrigá-la a ver a realidade nua e crua!
Não obstante a idade que têm, os gajos agem sempre de forma egoísta, só pensam neles e no seu grande ego!
E desde já peço desculpa por estar a generalizar e a ser injusta com a minoria. De cabeça quente, é inevitável não dizer estas barbaridades.
Volto já! Preciso de um cigarro!...
Álbum: raízes
Há 13 anos













