Tal como o aquário, tem um olhar que o distingue dos nativos dos outros signos. Mas desta vez não se trata de uma expressão ingénua e infantil. Os peixes vêm através das pessoas, para além delas, o que lhe dá um ar misterioso e longinquo. Aliás vive completamente mergulhado no seu universo interior, a milhares de quilometros dum aqui onde se aborrece.
Don Juan Tenorio era nativo de peixes, nasceu a 3 de Março. Ilustra perfeitamente a natureza dupla deste signo. Durante a primeira parte da sua vida, entregou-se desenfreadamente aos prazeres, seduzindo todas as mulheres que encontrava e abandonando-as em seguida, indiferente ao desgosto e ás lagrimas, inconsciente. Depois da juventude veste o hábito de monge e passa a andar de hospicio em hospital a lavar os pés dos mendigos, dos doentes e vive de esmolas.
Estes dois tipos de existencia aparentemente incompativeis, são reflexo de uma unica sede, duma só aspiração: aquela que leva o peixes a dissolver-se num universo exterior a ele, a fundir-se no desconhecido. Na juventude, a comunhão pode ser apenas sensual, uma vez que o amor oferece a todos os seres um meio de se esquecerem de si próprios. O lado sedutor do peixes é apenas uma fuga deles próprios, uma avidez sempre insatisfeita, pois as aspirações da sua alma nunca são realizadas.
O peixes funciona por intuicao; e têm todas as vantagens em se fiar mais no seu sexto sentido do que na razão....pois, razão é coisa que não possuem e a sua inteligencia obedece a mecanismos misteriosos dos quais a lógica parece totalmente excluida. Aliás, dizem com mais frequencia "eu sinto" do que "eu penso".
Criticam-nos muitas vezes pela sua inacção ou por uma certa passividade. Parece que não estão a fazer nada e, no entanto, nesse lapso de tempo, a imaginação transportou-os para muito longe.....sucedendo-lhes por vezes ser assaltados por visões geniais....
Parecem sintonizados em comprimentos de onda que escapam ao comum dos mortais. Consideram-nos em geral misteriosos, fugidios, estranhos. Uma faceta "sabonete na banheira".
Este personagem mais mistico que sensual, sempre em busca de um ideal, é dominado por Neptuno. O peixe jupiteriano mostra-se mais conformista, mais pedante, amante das honras e facilmente emocionável, tão indulgente para com os outros como para as suas próprias fraquezas. Tem mais sorte que o primeiro e manifesta um optimismo que nada consegue ensombrar.
Bom e egoista sabe furtar-se ás situações de confusão. Eis porque os peixes fornecem maior numero de centenários e de "velhos rijos" do que os outros signos.
Um peixe que reune o optimismo e a boa vontade de um Jupiteriano e o idealismo e o génio dum Neptuniano, terá um destino pouco banal e muitas vezes admirável.
Para que é dotado?
O peixe jupiteriano possui o sentido das especulações financeiras e pode triunfar na banca ou obter grandes lucros na bolsa. Aliás acha que o dinheiro é para se gastar.
O Neptuniano tem menos sorte na vida material, pois não sabe o que é o dinheiro, gasta-o antes de o ganhar e é explorado sem dar por isso; nunca chega a receber a parte da herança que lhe cabe.
Como ama?
À semelhança de Don Juan, o peixes brinca aos coleccionadores, preocupa-se mais com a sua panóplia de caça do que com a qualidade dos seus amores. Ou então é romanesco e sentimental, coloca a eleita num pedestal e "diviniza-a". Pobre dela se fizer qualquer exigencia humana!
Por vezes acusam-no de practicar actos pouco recomendáveis, mas não se pode julgá-lo de acordo com os critérios habituais: é mais amoral do que imoral.
Confessa sem dificuldade que é fiel mas inconstante. De resto considera tabus os preconceitos e de um modo geral tudo o que limita o homem, digno de desprezo. Submeter-se-á a todas as experiencias para provar a si próprio que não está preso e sobretudo para "sentir" algo de novo, ao contrário do aquário que procura experiencias para "analisar".
Casar com um peixes, ser encantador, fascinante, infinitamente sensivel, capaz de atenções extraordinárias e de ternura, sensual e bom amante, é, no entanto uma aventura muito perigosa. Com ele, não há segurança, certezas, um chão firme onde apoiar os pés. O amor pode abandoná-lo como as vagas abandonam a praia.
Nenhum gesto consegue sensibilizar aquele rosto fechado, tocar a couraça em que se envolve.
Nada mais resta do que desistir, aceitar a derrota para que possa restar, ao menos, um simulacro de amizade.
Há também que assinalar que o peixes nunca são invulneráveis á tentação e que o seu caracter sonhador pode sempre transportá-los para longe, para zonas fantásticas e imprevisiveis e que o seu erotismo - extremamente rico - pode reagir diante de um rosto que a imaginacao de que é dotado transfigurou com um simples movimento de varinha mágica.
Gosta das mulheres misteriosas. A mulher que o ama não deve revelar-lhe tudo acerca de si própria se quer conservar sobre ele qualquer espécie de dominio.
Se fosse um intrumento de musica : a harpa