Para alguém...
Vai ficar tudo bem porque tu mereces. Acredita em mim!
Um beijo rechonchudo e repenicado do tamanho do mundo e um grande e apertado xi.
(Não ligues ao vídeo. Foi o que se pode arranjar...)
Smile though your heart is aching
Smile even though its breaking
When there are clouds in the sky, youll get by
If you smile through your fear and sorrow
Smile and maybe tomorrow
Youll see the sun come shining through for you
Light up your face with gladness
Hide every trace of sadness
Although a tear may be ever so near
Thats the time you must keep on trying
Smile, whats the use of crying?
Youll find that life is still worthwhile
If you just smile
A minha lente cor-de-rosa
Amiga, um pedido: não me digas destas coisas ao final da tarde. Quando for assim, diz-me logo pela manhã que assim tenho o dia todo para pensar no assunto e fico com a noite para dormir. Ok?
Foi uma noite longa e fria, passada em claro.
Põe lente, tira lente… Um exercício duro, que me deixa o coração gelado.
Eu nem gosto muito de cor-de-rosa, de onde saiu esta lente? E como me desfaço de uma lente que uso há trinta anos? Ainda nem deitei fora as lentes verdes descartáveis que usei durante este verão!...
Tirar a lente e ver as pessoas como elas são.
Tirar a lente e ver-me fria e azeda em vez de incompreendida.
Tirar a lente e ver que o que vi nunca existiu.
Tirar a lente e ver que afinal não é a minha estrela a brilhar só para mim mas sim um avião que passa lentamente, lá longe, a caminho do seu destino, completamente alheio à minha presença.
Tirar a lente é um processo muito doloroso que me deixa os olhos vermelhos e inchados. Não quero voltar a tirar a lente. Não quero viver sem a minha lente cor-de-rosa. Não quero ter de lidar com a outra realidade paralela à minha. Prefiro a minha versão dos acontecimentos e das pessoas.
Chamem-me idealista, ingénua, sonhadora, utópica. Eu não quero saber. Prefiro acreditar nesta doce mentira…
Quinta
Fidelity
Regina Spektor
I never loved nobody fully
Always one foot on the ground
And by protecting my heart truly
I got lost in the sounds
I hear in my mind
All these voices
I hear in my mind all these words
I hear in my mind all this music
And it breaks my heart
And it breaks my heart
And it breaks my heart
It breaks my heart
And suppose I never met you
Suppose we never fell in love
Suppose I never ever let you
kiss me so sweet and so soft
Suppose I never ever saw you
Suppose we never ever called
Suppose I kept on singing love songs
just to break my own fall
Just to break my fall
Just to break my fall
Break my fall
Break my fall
All my friends say that of course
its gonna get better
Gonna get better
Better better better better
Better better better
Mais uma Quarta no Púcaros
"O verdadeiro fracasso é o sentimento de não ter arriscado"
(autor anónimo)
Ontem não houveram abraços e as palavras foram parcas. Talvez porque soubessem que já não preciso, este coração malandro já voltou à sua forma empedernida. (A minha lente cor-de-rosa...)
Contudo, houve um texto que me chegou a perturbar a visão. Há coincidências incríveis. (A minha lente cor-de-rosa outra vez...)
Como não poderia deixar de ser, vou partilhar o texto convosco.
A desilusão de um quase
Luís Fernando Veríssmo
Ainda pior que a convicção do não e a incerteza do talvez é a desilusão de um quase. é o quase que me incomoda e me entristece que me mata trazendo tudo o que poderia ter sido e não foi. Quem quase ganhou ainda joga, Quem quase morreu ainda está vivo, Quem quase amou não amou Basta pensar nas oportunidades que escaparam pelos dedos Nas chances que se perderam por medo Nas idéias que nunca saíram do papel Por essa maldita mania de viver no outono Pergunto-me, ás vezes, o que nos leva a escolher uma vida morna Ou melhor, não pergunto, contesto A resposta eu sei de cor, está estampada na distância e frieza dos sorrisos, Na frouxidão dos abraços, na indiferença dos "bom dia" quase que sussurrados. Sobra covardia e falta coragem até pra ser feliz. A paixão queima o amor enlouquece o desejo traí Talvez esses fossem bons motivos para decidir entre a alegria e a dor, Sentir o nada mais não são Se a virtude estivesse mesmo no meio termo, o mar não teria ondas, os dias seriam nublados e o arco-íris em tons de cinza. O nada não ilumina, não inspira, não aflige nem acalma, apenas amplia o vazio que cada um traz dentro de si Não é que a fé mova montanhas, nem que todas as estrelas estejam ao alcance Para as coisas que não podem ser mudadas resta-nos apenas paciência, Porém, preferir a derrota prévia a dúvida da vitória é desperdiçar a oportunidade de merecer. Pros erros a perdão, pros fracassos, chance, pros amores impossíveis tempo. De nada adianta cercar um coração vazio ou economizar alma Um romance cujo o fim é instantâneo ou indolor não é romance. Não deixe que a saudade sufoque, que a rotina o acomode, que o medo o impeça de tentar. Desconfie do destino e acredite em você, Gaste mais horas realizando do que sonhando, fazendo que planejando, vivendo que esperando por que. Embora quem quase morreu esteja vivo, Quem quase vive já morreu....
As palavras que me dirigem nunca caem em saco roto, mesmo quando eu pareço distante, desinteressada ou a leste.
Continuando, aconselharam-me a deixar de ser tão retraída, a perguntar mais e tentar adivinhar menos, a ser mais prática, a arriscar mais; Aconselharam-me a, quando algo de bom me acontecer, não questionar. Simplesmente, agarrar com as duas mãos com toda a força que tiver e não deixar fugir; E aconselharam-me a desfazer-me da lente cor-de-rosa (sábia amiga!).
Tudo porque este ano, não foi bissexto, mas foi ano de me apaixonar. E mais uma vez, deitar tudo a perder. Sempre fui assim, desde o tempo da primária. Tenho chumbado com mérito a esta disciplina, com direito a presença no quadro de honra e tudo. Continuar assim aos trinta, é frustrante e vergonhoso. Adiante!
Falta de inteligência emocional? Não me parece. Insegurança e muita descrença no sexo masculino? Provavelmente. Medo de sofrer? Com toda a certeza.
É sempre o mesmo filme de terror! Quando o perigo surge, é o pânico. Escondo, dissimulo, fujo, empurro, até conseguir expulsar definitivamente. E claro que depois a responsabilidade nunca é minha. Eu faço sempre tudo bem. Eles é que não têm o super poder de conseguir adivinhar o que eu sinto, o que eu quero que digam e façam. E mesmo quando parecem ter, nunca é suficiente.
Se calhar escrever isto ao som do Adagietto de Mahler não é lá muito boa ideia. Mas seja!...
Porque é que eu sou assim?
Há uns posts atrás, aconselhei a que vissem os clássicos do cinema. Fui muito injusta naquele post. E o problema coloca-se precisamente ao contrário: eu vi e faço filmes a mais. Romanceio demasiado, fantasio, suspiro, idealizo. Procuro um ser perfeito que nunca vai aparecer. Porque a perfeição é um ideal. Porque esse ser perfeito funciona como a cenoura à frente do burro, neste caso, burra. A maldita lente cor-de-rosa que me impede de aceitar as coisas como elas são e arriscar. Nunca. Nunca cedo, nunca arrisco. Exijo sempre mais sem dar nada em troca. Desta última vez então foi o descalabro total. Talvez por isso me sinta tão estúpida, tão infantil, tão mal. Não fui capaz de dar uma mão, nada! Talvez porque me senti verdadeiramente em risco, desta vez. Houve alturas em que acreditei. Foi a única vez que senti mesmo vontade de me atirar em queda livre.
Porque é que eu sou assim?
Todos os dias detecto um “se”, um “mas”, um “talvez”, conjugado a um “seria?”. De nada adianta a esta altura do campeonato. Só serve para me atrofiar a cabeça. Eu até acho que é mesmo disso que eu gosto. De acreditar na minha história, na minha versão dos acontecimentos. Gosto de acreditar que fui correspondida mas que as coisas não se proporcionaram. Afinal, os melhores filmes acabam sempre com os protagonistas a levar as suas vidas em separado. Romantismo e lirismo. Bela dupla! Não é à toa que, na música erudita, o meu período preferido seja o período romântico. De preferência, a escola alemã e russa.
Mas porque é que eu sou assim?
Talvez porque acredito de mais, ou de menos. Talvez porque seja demasiado insegura para acreditar que alguém seja capaz de gostar de mim como mereço. Talvez porque me falta maturidade emocional nesse campo. Talvez porque ainda não tenha aparecido a pessoas certa. Talvez porque não tenha a capacidade de entrega necessária. Talvez porque sofra de síndrome de prima-dona e só queira ser bajulada. Talvez porque tenha muitos amigos gajos e veja como eles lidam com estas questões. Talvez porque seja céptica em relação à capacidade dos homens serem verdadeiros e leais. Talvez porque não seja talhada para um dia dizer “Amo-te” a alguém ou pedir a alguém que me ame. Talvez muita coisa.
De nada me adianta tentar convencer-me que da próxima será diferente porque, quando acontecer, daqui por dez anos, eu já terei esquecido os erros que cometi e irei comete-los todos sistematicamente, a papel químico.
Voltarei a não agarrar a coisa boa que a vida me ofereceu. Voltarei a querer que ele chegue de cavalo branco e me arrebate inesperadamente daqui para fora. Sem que tenha de mexer uma palha. Como se isso fosse possível na vida real...
Grande frase
Porque hoje é quarta-feira
Como se tivessem boca,
Palavras de amor, de esperança,
De imenso amor, de esperança louca.
Palavras nuas que beijas
Quando a noite perde o rosto,
Palavras que se recusam
Aos muros do teu desgosto.
De repente coloridas
Entre palavras sem cor,
Esperadas, inesperadas
Como a poesia ou o amor.
(O nome de quem se ama
Letra a letra revelado
No mármore distraído,
No papel abandonado)
Palavras que nos transportam
Aonde a noite é mais forte,
Ao silêncio dos amantes
Abraçados contra a morte.
Alexandre O'neill
O lago do cisne
Mas, desta vez, resolvi arrojar, ir mais além.
Resolvi encenar a minha própria versão d'O Lago dos Cisnes: um solo a quatro rodas. Só que não correu lá muito bem. Entusiasmei-me e só parei contra o muro. O malfadado bolinhas mais uma vez a ir de ambulância para a oficina. E eu... continuo shiny and happy, a responder a toda a gente "Huh?!", a tentar perceber mas onde é que tu andas???...
Uma para ti
How to conquer them we cannot find
But somehow we find the peace
that surpasses all our understanding.
We search in order to get in the race
Or run swiftly far away from grace
Still we arrive at this place,
so familiar to our destiny
Chorus
In between where I've been and where I'm going
To a special place, designed just for me
Between where I've been, so closer to knowing
My search is over, I think I see me
Ad-libs- Yeah, Oh, To a special place,
In between, Between, Yeah,
My search is over, over
It's clear to me it's no need to hide
Knowing it's your voice that will guide me
to all my hopes and dreams
To satisfy everything my soul has ever longed for
Lord I long to fulfill your plan, yes I do
Knowing all the time that it's with your hand
that will hold me
Until your will is clear to me,
I'll be waiting so, so patiently
Chorus
Ad-libsIn between where I've been,
Where I know that I'm going, To a special place,
Designed just for me,
In between where I've been, So closer to knowing,
That my search is over, Yes I see me
Mirror, mirror on the wall
I know that I can face it all
I finally see the truth inside of me
It's too late to turn back now
I have no questions about how
You will lead and guide me
Always hide me safely in your arms
Chorus
Ad-libsIn your arms is where I'll be,
Waiting on my way to my destiny, Made just for me,
So closer to knowing,
My search is over, Over.
Uma para a amiga
Não deu para ser antes porque isto parece o Conde Ferreira. ;)
Espero ter acertado na música!
Gangue da Campaínha
O modus operandi consta em aproximar-se discretamente de um grupo de transeuntes, passar à sua frente, tocar disfarçadamente às campainhas todas e desatar a correr. As pessoas são apanhadas desprevenidas e quando se apercebem do que aconteceu, desatam a correr também.
O líder do gangue confessou que talvez sejam memórias recalcadas do tempo que vivia no Bairro de Paranhos que o tenham levado àquela vida. Outro membro do gangue desdramatiza e alega que é só uma forma de aquecer.
A verdade é que a moda está a pegar e já foram avistadas pessoas que não são do gangue a fazerem o mesmo.
Tenham cuidado, eles andam aí.
Moonlight Serenade
De todas, prefiro a versão limpa do Glenn. Mas, para quem quiser com letra, aqui fica também a versão do Frank.
As pessoas abrem os braços para nos receber mal nos vêem. Cobram a nossa ausência. Quase acredito que fiz falta. Perguntam como estou e esperam, com aqueles olhos fixos em mim, pela resposta. “Estou bem”, respondo.
Mais uma cara conhecida. Dirige-se a mim com um sorriso sincero. Mais um abraço. Diz-me que estou diferente e fica a olhar para mim a tentar decifrar o que mudou. Pois estou, penso. Mas não digo. Limito-me a sorrir e uso o cabelo como desculpa. Diz-me que sim, que deve ser isso. Da última vez estava com ele preso. “Não sei. Não me lembro.” Mas desta vez não me lembro mesmo.
O meu copo de vinho do Porto já se encontra na mesa. Podem começar. As palavras começam a surgir e a reverberar cá dentro. Do outro lado da sala uns olhos em mim. É o senhor que desenha. Sorrio. Não me desenhe hoje. Hoje não. Hoje só vim mesmo pelas palavras. E pelos abraços.
Dedicam a primeira parte a um poeta que está presente. Tem um olhar focado mas quente, alguma melancolia e muita doçura. Devolvo-lhe o sorriso que me oferece. Ali toda a gente sorri para toda a gente. Sorrisos sinceros. Sorrisos de quem está em sintonia. Sorrisos provocados pelas palavras que ele alinhou e que agora alguém repete em voz alta. “São de pedra as lágrimas que te atiro por não saber como chorá-las”.
O senhor da voz grave dá início à segunda parte. Bonito poema. A acompanhá-lo o rapaz da guitarra acústica. Segue-se o senhor que medeia a noite. Depois o rapaz mais novo. Seguido do senhor alto e de óculos.
O rapaz alto e de olhos vivos, sentado no bar, levanta-se e reclama a presença de uma voz feminina. Hoje ele não quer ler. Também só está ali pelas palavras. Eu hoje também não quero ler. Hoje não.
Já é tarde. A sala está cheia de fumo. Está na hora de ir. Um amigo dá-me um abraço. Eu estou bem, digo-lhe com um sorriso. É inevitável. São as palavras. Foi por elas que eu vim. É com elas que eu vou.
Despeço-me. Dão-me um abraço e dizem-me “fica bem”. Sorrio e respondo baixinho para mim “vou ficar”. “Até para a semana”, diz-me sorridente o senhor dono do espaço.
O sono que desce sobre mim - Álvaro de Campos
O sono mental que desce fisicamente sobre mim,
O sono universal que desce individualmente sobre mim -
Esse sono
Parecerá aos outros o sono de dormir,
O sono da vontade de dormir,
O sono de ser sono.
Mas é mais, mais de dentro, mais de cima:
É o sono da soma de todas as desilusões,
É o sono da síntese de todas as desesperanças,
É o sono de haver mundo comigo lá dentro
Sem que eu houvesse contribuído em nada para isso.
O sono que desce sobre mim
É contudo como todos os sonos.
O cansaço tem ao menos brandura,
O abatimento tem ao menos sossego,
A rendição é ao menos o fim do esforço,
O fim é ao menos o já não haver que esperar.
Há um som de abrir uma janela,
Viro indiferente a cabeça para a esquerda
por sobre o ombro que a sente,
Olho pela janela entreaberta:
A rapariga do segundo andar de defronte
Debruça-se com os olhos azuis à procura de alguém,
De quem?,
Pergunta a minha indiferença,
E tudo isso é sono.
Meus Deus, tanto sono!...
Por falar em poesia, e porque estou de saída para uma bem passada noite de poesia no Púcaros, aqui fica este oportuno poema de Álvaro de Campos.
Boa noite e bons sonhos!
Esta noite sonhei que...
Lá o tempo passaria devagar mas não haveria problema. Era bom que assim fosse. Iria haver tempo para tudo inclusive pôr a leitura em dia. Iria voltar a estudar piano, ao fim da tarde. Iria escrever pela noite dentro. Iria acordar ao primeiro toque do despertador ou mesmo antes de ele tocar.
Lá todas as pessoas se cumprimentam na rua e páram para saber como estão.
Lá abriria uma livraria onde, à noite, se fariam sessões de poesia para amadores. Sempre acompanhadas de um largo copo de vinho tinto ou de um pequeno copo de vinho do Porto.
Lá, sem telemóveis e sem internet, sem nada.
Lá... Somente lá, verdadeiramente longe!...
D. Sebastião
Such a perfect weekend
Perfect Day (Lou Reed)
Just a perfect day,
Drink sangria in the park,
And then later, when it gets dark,
We go home.
Just a perfect day,
Feed animals in the zoo
Then later, a movie, too,
And then home.
Oh its such a perfect day,
Im glad I spent it with you.
Oh such a perfect day,
You just keep me hanging on,
You just keep me hanging on.
Just a perfect day,
Problems all left alone,
Weekenders on our own.
Its such fun.
Just a perfect day,
You made me forget myself.
I thought I was someone else,
Someone good.
Oh its such a perfect day,
Im glad I spent it with you.
Oh such a perfect day,
You just keep me hanging on,
You just keep me hanging on.
You're going to reap just what you sow,
You're going to reap just what you sow,
You're going to reap just what you sow,
You're going to reap just what you sow...