'tá supra engraçado



Diz quem percebe da coisa que o gajo imita tal e qual.
Eu acho piada ao gajo...

amanhã 'tou de folga

Aproveitando a previsão do tempo, vou tirar o dia de amanhã para mim, para o dolce fare niente e passear. Aliás, Vou passar o dia numa óptima companhia: a minha cidade. Vou perder-me nela... E aproveitar para usar o meu chapéu novo!...

Domingo não escapa...

de regresso à civilização

Sem Internet na empresa há mais de uma semana e com o kanguru perneta há dois dias, sabe bem regressar, por fim, e nem que seja por um breve momento, às lides bloguísticas.
Sem net na empresa pouco me resta a não ser trabalhar e, eventualmente, escrever textos intermináveis. Não me lembro de ver a minha secretária tão organizada e asseadinha ou da última vez que escrevi textos tão longos.
Hoje, sem Internet e sem tabaco, quase trepei paredes. Ninguém merece!
Se a situação não se resolver até ao fim desta semana, no início da próxima queixo-me ao sindicato. Não há condições de trabalho!...

este puto vai longe



Want her, have her
Two years have gone now
But I can't relate
To the never ending
Games that you play
As desire passes through
then you're open
To the truth
I hope you understand
And your love
Is standing next to me
Is standing next to me

The one you fell for
makes it seem juvenile
And you'll laugh
At yourself
Again and again
And we'll drink
To the thought
She'll remember you
Maybe tomorrow

And your love
Is standing next to me
Is standing next to me
And your love
Is standing next to me
Is standing next to me
Is standing next to me
Is standing next to me

Want her, have her
Two years have gone now
But I can't relate
To the never ending
Games that you play
As desire passes through
Then you're open
To the truth
I hope you understand

And your love
Is standing next to me
Is standing next to me
Is standing next to me
Is standing next to me

Então e eu?!... (beicinho)

Há algum tempo, em conversa com uma amiga, ela dizia-me que tinha pena de uma amiga nossa por esta não encontrar alguém. Achava que ela merecia e era isso que lhe faltava para ela se animar, uma vez que anda sempre cansada ou deprimida. (Nada de piadinhas, ok?!...)
Na altura, concordei. E continuo a concordar.

Quando me apanhei sozinha e voltei ao assunto, pensei: então e eu? Eu não mereço encontrar alguém?
Só porque não tenho feitio para ficar em casa a olhar para as paredes, a lamentar-me da vida, a suspirar por algo que não acontece, a deixar crescer as tranças, qual Rapunzel, não significa que também não precise, queira ou mereça.

Existe uma tendência generalizada para me considerarem uma pessoa forte, uma super mulher, e isso nem sempre, ou quase nunca, joga a meu favor (além de não ser totalmente verdade).

Em primeiro lugar porque me tomam como saco de porrada, alguém que tudo aguenta. E logo eu, que sou uma hemofílica sentimental. O mínimo toque provoca uma hemorragia que custa a estancar. Às vezes só mesmo com internamento hospitalar, nos cuidados intensivos e em ambiente esterilizado.

São as pequenas coisas, as pequenas atenções, que me tocam e me fazem feliz. Mas, também são as pequenas coisas, as pequenas faltas de atenção, que mais me magoam.
Se repararem, normalmente, é nas pequenas falhas que as máscaras das pessoas caem.
No entanto, não é do meu feitio andar sempre chateadinha com o que (não) me fazem. Se calhar devia ser. Devia ir vertendo à medida que ia enchendo. Mas não. Deixo o copo encher e, quando atesta, sai tempestade em copo de água. Por vezes, perdendo a razão.

Não acredito em grandes actos e atitudes megalómanas. Por norma tornam-se descabidas e soam a falso.
Prefiro detalhes… Digamos que tenho uma personalidade de estilo barroco.

Tenho de facto uma personalidade forte e um feitio que, segundo me disseram, condiz com a minha personalidade (whatever that means…), mas que a maioria tende a classificar de difícil.
Do meu ponto de vista, o meu feitio pouco tem de difícil. E acredito que, quem de facto me conhece, concorda comigo. É muito fácil lidar comigo, muito mais fácil do que aparenta ser.
Sou uma pessoa de fácil acesso, extremamente tolerante e paciente, bem disposta. Para mim está sempre tudo bem e muito dificilmente me chateio com alguma coisa ou alguém. E quando acontece, chamo a atenção e tento resolver as coisas a bem, conversando, como pessoa adulta que sou ou tento ser.
Só não tenho paciência para meias palavras, adivinhas ou charadas, braços de ferro e jogos de gato e rato. Passei essas fases todas na devida altura. Ou para que me façam, ou tentem fazer, passar por parva. Agora valorizo o jogo da verdade. Senão, consequência.

Sou uma gaja que se deixa conquistar de cima para baixo, da cabeça para os pés. Primeiro estimulando intelectualmente, depois falando ao coração e só depois… me têm aos pés.
O problema é que o meu coração só fala uma língua, já morta, que muito poucos dominam. E não é o latim…

Também é verdade que sou extremamente individualista. Pelos visto é uma característica das pessoas do meu signo. Vai-se lá saber se é ou não…
Sofro em silêncio, amo em segredo, elogio pouco e não sou de andar aos beijos e abraços a toda a gente e a toda a hora. Mas isso não significa que as pessoas não sejam importantes para mim ou que não goste delas.

Pessoalmente, sou uma pessoa muito fechada, é um facto.
Essa maneira de ser parece contrariar a forma como me mostro no blogue.
Já me disseram que aqui eu me exponho demasiado.
Exponho, é verdade, às vezes e por opção, obviamente. Mas nunca tanto quanto possam pensar. Existe muito mais, muito mais mesmo, que guardo só para mim.
O blogue funciona como um elástico da minha personalidade, que eu gosto de esticar até ao limite. Às vezes, corre mal e rebenta…
É perigoso, para quem não me conhece pessoalmente, acreditar em tudo o que eu escrevo por estas bandas…

Mas, regressando ao tema principal.
Já me devem ter ouvido dizer, à boca cheia, que não preciso de ninguém. E é verdade. Mas, tal como ninguém vive (e quando digo “vive” é no sentido de viver e não, sobreviver) a pão e água, também ninguém vive sozinho.
O nosso organismo, para ser saudável, precisa de todos os alimentos da roda dos alimentos, de preferência naquela proporção.
A nossa alma, ou o que lhe quiserem chamar, para ser saudável, precisa de afecto. Precisa de todos os afectos da roda dos afectos. Sendo que aqui, não existe uma regra nas proporções. Estas variam mediante a personalidade de cada um.
Ou seja, precisamos do afecto da família, dos amigos, dos colegas, de toda a gente e… de alguém.
Se nos faltar um destes afectos, a tendência será compensar com outros ou com outras coisas.
Para uns, alguém pode ser alguém. Para outros, alguém precisa mesmo de ser alguém. É o meu caso.

Se eu quisesse o afecto de alguém, candidatos existem sempre. Falta saber que tipo de afecto me querem dar, é certo.
Aliás, não fosse esta minha obsessão por encontrar alguém, e eu já poderia estar a viver o sonho português há anos: casamento numa quinta, com tudo a que tenho direito – música ao vivo ou DJ, fogo de artifício, etc. – mesmo que não tenha a possibilidade de o pagar; A noite de núpcias toda a contar o dinheiro que se recebeu (até porque estamos demasiado cansados para algo mais, de tanto coimboiinho ao som do imprescindível “Apita o comboio”); A lua-de-mel na República Dominicana ou no México à custa do dinheiro que recebemos como presentes de casamento; Endividar-me até aos dentes com a prestação da casa, dos dois carros, dos electrodomésticos todos topo-de-gama, LCD e Home Cinema; Os filhotes e as idas ao médico, vacinas, carrinhos de bebé (segundo a proposta de orçamento de estado para 2009, com o IVA a 5%) e a mensalidade do infantário; As discussões com o desgraçado por causa da abelhuda da mãe dele ou porque não faz nada em casa ou porque depende de mim para tudo ou porque, na verdade, já não o posso ver à frente mas também já não sei viver sozinha.
Já podia ter isto tudo. Mas eu teimo em esperar…

No entanto, e aqui reside a novidade do discurso, mais que receber o afecto de alguém, tem-se tornado uma necessidade cada vez mais latente, a de oferecer todo o meu afecto, a alguém.
Só que é a eterna questão: tenho uma tendência impressionante para me interessar só por artistas! …
Assim sendo, vou seguindo sozinha... Por vezes indo buscar ao baú o discurso “vejo-te como um amigo”, outras vezes, lapidando um pouco do meu afecto com ou outro que até me faz rir, outras ainda, sem paciência para os aturar.

Verdade verdadeira, acho que estou tão habituada a ser eu, a estar sozinha e a fazer o que me apetece, que desconfio ser muito difícil conseguir reverter a situação algum dia.
Não é que eu não queira. Eu quero! Só não sei se consigo…

Contudo, parece-me injusto que as minhas amigas não torçam por mim…
Eu também preciso! E mereço! Ora vejam: sou boa rapariga; sei cozinhar, lavar e passar a ferro; e até falo francês e toco piano! Que mais querem?! Ok, tenho um feitio difícil… Mas aqui entre nós, tenho outros predicados que, garanto!, compensam esse feitiozinho…

Dizem-me com frequência que eu sou perigosa. Eu vou passar a responder o que respondo quando me dizem que sou bonita: a beleza (neste caso, o perigo) está mais nos olhos de quem vê do que propriamente no “objecto”…

Agora falando sério.
Vamos todos dar as mãos e meditar seriamente no seguinte: os super-heróis têm sempre alguém. Por vezes, até os super-vilões têm. Porque é que esta pseudo-super-mulher não pode precisar, querer e merecer ter alguém? Sendo ela super-mulher ou super-vilã…Pouco importa. Até porque lá no fundo, tenho pouco de super-mulher ou de super-vilã. Tenho muito mais de menina. No fundo, tal como Rita Lee diz, eu sou neném, só sossego com beijinho…

E mais, não digo, até porque já disse demais…
Se não perceberam assim, montem o puzzle.

ciclo de cinema italiano

TEATRO DO CAMPO ALEGRE
de 9 a 29 de Outubro

SENTIMENTO Luchino Visconti M/12Q - Quinta, 09 Outubro
O LEOPARDO Luchino Visconti M/12Q - Sexta, 10 Outubro
A DOCE VIDA Federico Fellini M/12 - Sábado, 11 Outubro
AMARCORD Federico Fellini M/12 - Domingo, 12 Outubro
FELLINI 8 E 1/2 Federico Fellini M/12 - Segunda, 13 Outubro
DECAMERON Pier Paolo Pasolini M/16Q - Terça, 14 Outubro
CONTOS DE CANTERBURY Pier Paolo Pasolini M/16Q - Quarta, 15 Outubro
AS MIL E UMA NOITES Pier Paolo Pasolini M/16Q - Quinta, 16 Outubro
BLOW UP - HISTÓRIA DE UM FOTÓGRAFO - Michelangelo Antonioni M/12 - Sexta, 17 Outubro
PROFISSÃO: REPÓRTER Michelangelo Antonioni M/12Q - Sábado, 18 Outubro
O ÚLTIMO TANGO EM PARIS Bernardo Bertolucci M/18 - Domingo, 19 Outubro
O MONSTRO Roberto Benigni M/12 - Segunda, 20 Outubro
ABRIL Nanni Moretti M/12 - Terça, 21 Outubro
APAIXONADAS Tonino de Bernardi M/16 - Quarta, 22 Outubro
RESPIRO Emanuele Crialese M/12 - Quinta, 23 Outubro
A JANELA EM FRENTE Ferzan Ozpetek M/12 - Sexta, 24 Outubro
A MELHOR JUVENTUDE (parte 1) Marco Tullio Giordana M/12 - Sábado, 25 Outubro
A MELHOR JUVENTUDE (parte 2) Marco Tullio Giordana M/12 - Domingo, 26 Outubro
CANTANDO POR DETRÁS DAS CORTINAS Ermanno Olmi M/12Q - Segunda, 27 Outubro
BOM DIA, NOITE, Marco Bellocchio M/12 - Terça, 28 Outubro
O ODOR DO SANGUE Mário Martone M/16 - Quarta , 29 Outubro

Preço Único - 3,50€ Sessões às 18h30 e 22h00

a vida interior da valquíria Brunhild

Saio do trabalho directa para casa. Às 21h15 a minha boleia está à porta de minha casa e ainda tenho imensa coisa para fazer.
Dou uma arrumadela e às 20h00, mando-me para o banho. Quando saio, a pensar no que irei vestir com as minha botas novas, reparo que tenho uma chamada não atendida no telemóvel. É da minha boleia. Ligo-lhe. "Ligaste-me? Que se passa?". "Não, dei-te um toque. Já estou aqui à porta!". "(WTF?!!!!) Não era às 21h15?!". "Não, era às 20h15!". "Ok, dá-me 5 minutos...".
Maldita cabeça na lua, Maria Brunhild!... Não vai ser desta que vais usar as botas novas. Enfio as primeiras calças de ganga que me chegam às mãos, um top e calço as sapatilhas. Hoje vais mesmo de cara lavada que é para aprenderes a prestar atenção ao que te dizem. Detesto esperar e, por conseguinte, detesto fazer alguém esperar.
Passados 7 minutos estava a bater a porta de casa. Um recorde!... Mas ainda vou a apertar os atacadores pelo caminho.
Já atrasados para o jantar, um trânsito infernal na VCI, tudo parado. Bonito!... Ainda assim, somos o primeiro grupinho a chegar.
Eu estava cheia de fome e ligada à corrente. Ainda não tinha entrado no ritmo de fim-de-semana. E também já bebia qualquer coisinha. A bebida combinada era sangria. Não gosto de sangria. Depois tantas borracheiras de sangria, enjoei. Mas, a necessidade era tanta que marchou sangria.
Uma hora depois da hora combinada, finalmente estávamos todos.
Eu já tinha o estômago forrado a sangria, pelo que o apetite já tinha passado. Mas era melhor tentar comer qualquer coisa. Esta maldita falta de apetite que me persegue não terá fim?! Felizmente ainda não perdi o apetite pela bebida...
Um jarro de sangria mais tarde e eu continuava tão sóbria como antes... Já não bebo há algum tempo. Será que me tornei imune ao álcool?!... Já estava a ver a minha vida andar para trás.

Chateiam-me um bocado jantares com muita gente porque depois é sempre a mesma indecisão na hora de decidir onde ir.
A minha única exigência era que tivesse de beber e onde se pudesse fumar.
Após muitos "onde vamos?", decidiram-se pela rua da moda, alegando aproveitar o bom tempo que se fazia sentir. Eu já não tenho paciência para aquilo. No início o fenómeno teve a sua piada, mas já cansa. Ficar ali horas de pé a ver e a ser visto. Ainda por cima é impossível chegar-se ao bar…
Mas o que podia esta pobre alma cansada e sóbria contra a vontade dos restantes compinchas. Ainda me passou pela cabeça ir para casa. Mas ia para casa fazer o quê?...
Lá fui, meia contrariada, mas fui.

Quando lá chegamos aquilo ainda estava pior do que eu pensava. Acho que toda a gente da cidade quis aproveitar o bom tempo que se fazia sentir.
Comecei a dar-lhe na cerveja. Quatro finos depois (e um jarro de sangria) e eu continuava sem sentir o efeito do álcool. Já começava a desesperar! Ainda por cima a conversa não me cativava minimamente. Concentrei-me em conversas alheias mas ainda era piores.
Mais um fino…
Olho à volta e começo a ter visões. Alto!!! Finalmente o álcool começa a surtir efeito…
Este é o estágio inicial: as visões. O estágio seguinte, e o meu preferido, é deixar de ver. Deixar de ver, deixar de sentir, deixar de pensar, deixar de ouvir, deixar de tudo… É o recolher ao meu mundo.
Peço mais um fino.
O pessoal resolve mudar de poiso e eu agradeço. Já sentia o álcool correr-me nas veias, ainda que lentamente.
Ao percorrer aquela rua, reparo num fenómeno que me dá vontade de rir, de tão ridículo. No nosso grupo estava presente uma rapariga que costuma aparecer no pequeno ecrã. À medida que ela ia passando, era ver os gajos, primeiro a rodarem as cabeças e depois os corpos na sua direcção, num movimento tão sincronizado que mais parecia que tinha sido ensaiado.

Mais uma escolha certeira: um sítio vazio e com música má. Eu a precisar tanto de dançar mas ainda não será desta… Bebe, Brunhild!

Três finos depois e finalmente alguém me ouve e me faz a vontade!
Quando chego, sinto que cheguei a casa. Resolvo arriscar tudo e passar para o remédio santo: vodka preta com água tónica.
Só é pena o espaço também ter virado sitio da moda. Está insuportavelmente cheio. Já tenho saudades do tempo em que era somente um antro.
A minha bóia de salvação da noite: encontro uns amigos que não via há anos e de quem eu gosto muito. Marcaram uma fase importante da minha vida. Recordei histórias, chorei ao recordá-las e ri ao revivê-las. Porque deixamos de manter contacto, pergunto eu. Porque nos deixamos afastar de pessoas que gostamos tanto? Porque é que o tempo nos leva para longe?
Aos primeiros acordes de uma música que eu adoro, interrompo abruptamente a conversa e vou para a pista. Dancing queen entra em acção. Fecho os olhos e toda a gente abandona a pista. Fico só eu e Mathew Bellamy… Now is time to cleansing everything, to forget you love... E as lágrimas aparecem…
As músicas sucedem-se, o DJ parece adivinhar os meus pensamentos…
Não faço ideia de quanto tempo dancei, só sei que quase foi preciso arrancarem-me de lá à força…

Não gosto de chegar a casa de dia. Não gosto de ver as pessoas prepararem-se para mais um dia das suas vidinhas e eu ainda não ter ido à cama. Sinto-me uma inútil.

Chego a casa, deito-me e sinto o álcool circular a uma velocidade incrível. Felizmente devo ter aterrado imediatamente. Tudo o que não preciso é ficar de olhos arregalados para o tecto a pensar em coisas que não quero pensar…

Durmo cinco horas. Quando acordo ainda sinto o álcool… Mal consigo comer e ataco logo a ressaca com um Gurozan.
Penso nas coisas que fiz e disse na noite anterior. Ainda bem que o nosso corpo é uma máquina quase perfeita e, quando atingimos aquele estado de alcoolemia avançado, o cérebro entra em blackout.

Tenho uma festa para preparar, a casa para arrumar e ainda tenho de ir trabalhar de tarde. Mas só me apetece ficar deitada na cama, ouvir música e dormir.

A muito custo levanto-me e preparo-me para sair. Vou às compras para a festa e… adivinhem!... Os multibancos não estão a funcionar! Lindo! Bonito!

Vou trabalhar e o trabalho não rende quase nada. Estou de péssimo humor, sinto-me cansada, enjoada e dói-me a cabeça. Parece que fui atropelada por um TGV. Na verdade, dói-me tudo. Dói-me o que tenho e o que não tenho.

Volto a tentar o supermercado… Lista de compras na mão: vodka (branca e preta), cerveja, aperitivos, café, limas e hortelã. Está tudo. Esqueci-me de fazer gelo!... Boa! E as cervejas já não vão ter tempo de ficar suficientemente geladas. Ainda bem que deixas tudo para a última, Maria Brunhild!

Hoje vou mesmo estrear as botas novas! Visto-me, preparo tudo e chegam os primeiros convidados.
Hoje não vou correr riscos desnecessários. Vou directa para a vodka. A primeira ainda custa um bocado e sinto o efeito imediatamente. Só aí me lembro que não jantei nem lanchei.

Em alturas como estas, em que estou rodeada por pessoas que gosto muito, sinto-me bem. Nestas alturas o tempo até passa depressa.

Umas vodkas depois, já está tudo mais ou menos animado, está na altura de sair.
O filme repete-se: um sítio vazio (pelo menos a música não era má de todo).
Não vou aguentar aqui muito tempo. Vai ser só o tempo de estourar o cartão de consumo. Já estou ligada à corrente, já começo a fechar os olhos de tempos a tempos, preciso dançar.

A maioria do pessoal resolve ir para casa. Sou a única sobrevivente do sexo feminino. Já estou habituada!
Levam-me a um dos meus sítios preferidos. Oba!...
Quando lá chegamos, já tarde e a más horas, a noite já está em declínio. Mas ainda dá para cumprir o objectivo: dançar.
Desta vez é Iggy Pop e Kate que me fazem companhia… I have a hole in my soul for so long, I’ve learned to hide and just smile all along. Down on the street those man are all the same. I need a love, not games, not games…

Volto a chegar a casa de manhã. Volto a chegar a casa deprimida, cansada mas sem conseguir adormecer. Tanto investimento em álcool e não tenho retorno nenhum. Maldita crise!

Hoje já é domingo. Vou acordar com uma terrível ressaca, mal disposta e de mau humor, sem paciência para nada ou ninguém. Desligo o telemóvel e desejo dormir o dia todo e a noite toda. De preferência só acordar segunda para ir trabalhar e porque tem de ser.
Mas não. Ao fim de cinco horas já estou acordada. Mas recuso-me a levantar-me. Passo o dia todo na cama como se estivesse a convalescer de uma doença grave, que me tivesse levado toda a força, vontade, energia, brilho… tudo!

No fim do dia, finalmente assumo que não posso continuar assim. Sem dormir, sem comer, a levar a vida neste ritmo alucinante, evitando pensar e sentir o que não quero.

Dizem-me que não sabem como aguento levar este ritmo… Mas… Quem disse que eu estou a aguentar?...

candy



It's a rainy afternoon
In 1990
The big city geez it's been 20 years-
Candy-you were so fine

Beautiful beautiful
Girl from the north
You burned my heart
With a flickering torch
I had a dream that no one else could see
You gave me love for free

candy, candy , Candy I can't let you go
All my life you're haunting me
I loved you so

Candy, candy , Candy I can't let you go
Life is crazy
Candy baby

Yeah, well it hurt me real bad when you left
I'm glad you got out
But I miss you
I've had a hole in my heart
For so long
I've learned to fake it and
Just smile along

Down on the street
Those men are all the same
I need a love
Not games
Not games


Candy, Candy, Candy I can't let you go
All my life you're haunting me
I loved you so
Candy, Candy , Candy I can't let you go
Life is crazy
I Know baby
Candy baby

UOU UOU UOU
Candy, Candy, Candy I can't let you go
All my life you're haunting me
I loved you so

CANDY CANDY CANDY
life is crazy
candy baby

candy baby,
candy, candy

Tone a presidente!

Já imagino grandes festarolas in the White House!...
Tens o meu voto, Tone!

http://www.tsgnet.com/pres.php?id=46832&altf=Upof&altl=

24 hour party people

Sabe bem encontrar, inesperadamente ou não, amigos que foram muito importantes para nós e que não viamos há anos. Ao fim de meia hora de recordações eu já ria e chorava ao mesmo tempo...
Soube bem recordar aqueles tempos. E o mais curioso é que não senti entre nós o peso morto do tempo que passou.

Gosto quando me dizem que eu continuo a mesma: borrachona, de sorriso fácil e com ar de menina.

Actualizaram-se as agendas telefónicas e lá se agendou uma festa no GaBar.

Hoje recebo mais gente do que aquelas que cá cabem (e eu com uma ressaca descomunal). É o que dá ir para a farra na véspera de uma noite GaBar. Hoje com direito a DJ profissional e tudo. Sim que eu não faço a coisa por menos...

[Comecei o dia com a música que sonhei e acabei (ou comecei um novo) com a mesma música... Eu sabia que ia ser um dia em grande!]

[Ah! E para que conste não saio mais à noite de óculos. Eles fazem mais sucesso que eu! Já começa a chatear!!!...]

sunshine

Sweet – Lamb

Sunshine takes me
To a place where
I’m living free

Something in your eyes
Is telling me
This is where I want to be

But I never thought it would be
So

Sweet, sweet, sweet
The way you make me feel

Funny
How it just gets
Sweeter and sweeter
Day by day
It’s sweet how
You just get funnier to me
In every way
But I never thought it would be
So

Sweet, sweet, sweet
The way you make me feel
Sweet, sweet, sweet
I can’t believe you’re real

It`s so rare
To find someone
Who
Brings on the sunshine the way you do
You`re so

Sweet, sweet, sweet
The way you make me feel
Sweet, sweet, sweet
I can’t believe you’re real

de olhos bem fechados

No outro dia conversava com um amigo, que me colocava ao corrente das suas aventuras. Amorosas, na sua maioria.

Entre essas aventuras, contou-me que tinha ido a uma festa à porta fechada, onde se praticava o “engate puro”. Aquilo cheirou-me logo a casa de swing, mas ele negou.
Depois de eu muito insistir na tecla, ele, que já me conhece e sabe que eu não ia desistir do assunto facilmente, acabou por confessar que era muito pior que a simples troca de casais, que lá se praticava de tudo. Era o submundo do sexo.

Eu até me considero uma pessoa de mente aberta e o que cada um faz com a sua vida, é com cada um. Mas não consegui evitar o choque. De repente, o filme “De olhos bem fechados” ganhou vida, e aqui tão perto de mim.

O meu entusiasmo pela conversa era tanto que acabou por me convidar a ir lá com ele um dia destes e ver com os próprios olhos. Segundo ele, “aquilo só visto”. E avisou-me que, da última vez que levou lá uma amiga, tiveram de vir embora porque ela não aguentou e teve um ataque de choro.

Sei que com ele estaria segura, é o irmão mais velho que não tenho. Mas ainda assim fiquei com medo.
Se, por um lado, a minha curiosidade me tenta a querer saber tudo sobre tudo, inclusive sobre os diversos submundos.. Por outro lado, prezo muito a minha vida à superfície. E, há coisas que é preferível a gente não saber. Quanto mais, ver...

Curiosamente, no meio disto tudo, o que mais me chocou foi o facto de alguém que me conhece há mais de 20 anos não saber que eu sou demasiado menina para me aventurar por caminhos desses…

vive e deixa viver

Não acho justo duas pessoas que se gostam não poderem ficar juntas. Não acho mesmo. Independentemente do sexo, idade, nacionalidade, ou mesmo galáxia a que pertencem. (Uma parte de mim continua a acreditar no amor. Já não há remédio para mim...)
Não acho justa esta ligação do Estado à Igreja e a tudo o que esta defende. O Estado devia ser imparcial e idóneo. Mas, apesar de encarar o Estado como uma máquina, a verdade é que, por trás da máquina estão pessoas. E assim o sistema é falível.
Apesar dos Dias Santos me saberem pela vida, não concordo com eles. Acho que as minorias deviam ser respeitadas. E nesse sentido, acho que o Estado deveria olhar pelos interesses de todos, independentemente das suas crenças.
Quem é quem, para dizer que duas pessoas, só porque são do mesmo sexo, não se podem casar?
E porque que é que o casamento pela Igreja implica um casamento civil, se não passa de uma cerimónia religiosa? Uma coisa deveria ser independente da outra.
Estas mentalidades irritam-me profundamente. Prefiro nem pensar nisso.
Num mundo perfeito cada um seria livre para fazer o que quisesse, desde que não interferisse com a liberdade do próximo.
Infelizmente, o mundo está longe de ser perfeito...

votou-se o casamento entre homossexuais

E eu lembrei-me da noite gay que fizemos aqui há tempos. Percorremos os antros gays todos da cidade. Pensei que me ia divertir mas foi uma desilusão...
Qualquer dia conto. Ou não...





This was never the way I planned
Not my intention
I got so brave, drink in hand
Lost my discretion
It's not what, I'm used to
Just wanna try you on
I'm curious for you
Caught my attention

I kissed a girl and I liked it
The taste of her cherry chap stick
I kissed a girl just to try it
I hope my boyfriend don't mind it
It felt so wrong
It felt so right
Don't mean I'm in love tonight
I kissed a girl and I liked it
I liked it

No, I don't even know your name
It doesn't matter
You're my experimental game
Just human nature
It's not what, good girls do
Not how they should behave
My head gets so confused
Hard to obey

I kissed a girl and I liked it
The taste of her cherry chap stick
I kissed a girl just to try it
I hope my boyfriend don't mind it
It felt so wrong
It felt so right
Don't mean I'm in love tonight
I kissed a girl and I liked it
I liked it

Us girls we are so magical
Soft skin, red lips, so kissable
Hard to resist so touchable
Too good to deny it
Ain't no big deal, it's innocent

I kissed a girl and I liked it
The taste of her cherry chap stick
I kissed a girl just to try it
I hope my boyfriend don't mind it
It felt so wrong
It felt so right
Don't mean I'm in love tonight
I kissed a girl and I liked it
I liked ït


A música não tem nada a ver com a noite gay. Não comecem já a dar asas à imaginação. Cruzes!!!

put your records on

Esta noite sonhei com uma música (sim, eu sonho com músicas...) e quando me dirigia para o trabalho, hoje de manhã, tunga!, ouço a música na RFM.
Há coisas fantásticas, não há?!...

Bukowski rula

"Sentia-me contente por não estar apaixonado, por não estar contente com o mundo. Gosto de estar em desacordo com tudo. As pessoas apaixonadas tornam-se muitas vezes susceptíveis, perigosas. Perdem o sentido da realidade. Perdem o sentido de humor. Tornam-se nervosas, psicóticas, chatas. Tornam-se, mesmo, assassinas."
Mulheres de Charles Bukowski.

Credo!!!

Dois dia sem consultar o Google Reader e tenho 153 posts novos para ler!
Acho que sigo demasiados blogues!... E ainda não vai ser desta que os vou ler... Irra!!!...

ET go home...

- Qual é o teu endereço do Hi5?
- Não tenho página no Hi5...
- Não tens Hi5?! Mas...
(E senti o meu dedo indicador começar a piscar...)

momento da verdade

Recebi este texto po mail, aqui há dias. Quem me enviou, disse achar tal e qual e pedia-me que dissesse se era verdade ou mentira.
Então, aqui vai...

A mulher do signo Aquário insiste em ser livre (VERDADE), mas pode entregar-se em eterna devoção a quem aceitar o seu amor dentro de certos limites (VERDADE).

Como todo aquariano, ela pode alimentar o medo de que o desejo por uma pessoa possa aprisionar seu espírito e a impeça de ser leal ao seu único grande amor: a liberdade (VERDADE). Liberdade para experimentar, descobrir e ampliar sua visão do mundo (VERDADE).

O Aquário é o signo do futuro, das novas descobertas e dos génios que mudaram a humanidade (BLAH BLAH BLAH).
Sem essa liberdade para procurar novos conhecimentos este signo não é nada (VERDADE).
Por isso, é que os aquarianos costumam viver no futuro, onde as coisas ainda estão para acontecer (VERDADE). Na verdade, eles antecipam-se à época em que vivem. Muitos astrólogos dizem que daqui a uns 50 anos, o mundo pensará como uma mulher aquariana (EH EH EH EH). E deve ser mesmo. Basta notar que a maioria dos génios visionários eram do signo Aquário ou tinham ascendente aquariano (BLAH BLAH BLAH).
Só para citarmos alguns exemplos, Galileu foi perseguido por que vivia milénios à frente de sua época, e era do signo Aquário. Thomas Edson, o inventor da lâmpada, foi chamado maluco tantas vezes que talvez só perca com Charles Darwin, mais um aquariano, pai da teoria da evolução. Bem, vamos parar por aqui, não vou falar sobre Abraham Lincoln, Francis Bacon ou Franklin Roosevelt, entre outros.

Pode esperar que ela sempre tenha uma opinião franca (VERDADE! E quem pergunta o que não sabe, por vezes, ouve o que não quer...), mas não tente ensiná-la a viver (VERDADE).

Se procura uma mulher louca por paixões, fez a escolha errada (HUMMM... MENTIRA!). Se ela for uma típica mulher do signo Aquário, a paixão não será seu forte. Ela é muito lógica e ponderada para se impressionar com romances adocicados, declarações de amor ou filmes com finais trágicos, como Romeu e Julieta (VERDADE). Para ela, não faz sentido associar paixão com amor (NÃO SEI RESPONDER... TEM DIAS...).
Ela entende que o amor é harmonia e tranquilidade (VERDADE!!!), mas evita a paixão por saber que ela pode causar dor e sofrimento (VERDADDE!!!). A sua mente científica e extremamente lógica não pode aceitar que alguém chore por amor, pois amor deve causar alegria e sorrisos, jamais lágrimas (VERDADE!!!). Definitivamente, um amor avassalador não tem muito futuro com esta mulher (VERDADE! Também sei ser apaixonada... Mas as paixões duram pouco tempo. São intensas e desgastam-se facilmente.)

Ela pode amar com muita intensidade (VERDADE), mas não se entrega totalmente a ninguém (VERDADE!!!).

Não estar diante de seus olhos, muitas vezes significa estar fora do pensamento(MENTIRA!!!). A distância raramente faz o coração da mulher do signo Aquário ficar mais apaixonada (VERDADE). Por isso, é muito importante estar sempre presente para que ela não resolva procurar, em outros cantos, alguém que o substitua (VERDADE! High maintenance girl...).
Se a situação arrefece ou se torna intolerável, a índole desta mulher fará com que desapareça da noite para o dia sem olhar para trás(VERDADE, Infelizmente...).

Ela não gosta das separações ou divórcios (VERDADE! Odeio-os.), mas para ela, estes não representam o mesmo choque que para outras mulheres mais sentimentais (Isso já não sei.).
Por ser muito individualista (VERDADE!) e ter uma multidão de amigos e pretendentes, a aquariana não hesita em seguir sozinha, se for preciso (VERDADE).
A maioria das mulheres divorciadas e felizes são deste signo (Não faço ideia.).

Não é comum fazer julgamentos (VERDADE! Ao contrário do que possam pensam...) ou ter preconceitos (VERDADE). A aquariana costuma aceitar as pessoas como elas são (VERDADE), sem a intenção de querer mudá-las (VERDADE. Mas gosto de atazanar... eheheheh). O facto de adorar novidades e mudanças não quer dizer que tenha que mudar as pessoas (Pois não!).
É muito mais fácil ela querer mudar o mundo ou o universo (VERDADE! LOOL).

Não procure descobrir os seus pensamentos privados: não é dessa forma que se lida com esta mulher (VERDADE). Ela conservará os seus segredos ocultos e, muitas vezes, sentirá uma satisfação perversa em confundi-lo (AHAHAHAHAHAH... VERDADE). Em geral, ela será fiel aos extremos (VERDADE!!!!!), mas lembre-se: com uma aquariana, mentir é uma coisa, e deixar de contar toda a história é outra coisa (Mea culpa. Sim, VERDADE).

O instinto de fraternidade na aquariana é tão intenso que muitas vezes ela ficará chocada por ter cometido alguma injustiça (VERDADE. Chocada, chateada, destroçada, deprimida...).

Na maioria, bondosas e tranquilas por natureza (VERDADE), muitas vezes gostam de desafiar a opinião pública (VERDADE), e secretamente deliciam-se a chocar as pessoas mais convencionais com um comportamento mais agressivo e transgressor (Às vezes... VERDADE).

Urano faz dela uma rebelde que acha instintivamente todos os velhos hábitos errados (VERDADE) e que o mundo precisa de uma mudança radical (VERDADE). O que pode parecer chocante e escandaloso para muitas pessoas, para ela, pode parecer simplesmente exótico (VERDADE!!). E o que o mundo pode pensar ser uma grande loucura pode representar uma nova invenção que mudará os rumos da sociedade (VERDADE). Poucas são as coisas que podem chocar uma aquariana ou deixá-la escandalizada (VERDADE!).

Esta mulher não costuma ficar amuada (VERDADE! Quando não gosto, a tampa salta instantaneamente) ou ter ataques de histeria (VERDADE! Não suporto escandalos.), nem gosta de fazer um julgamento sem ter uma boa base sobre o assunto (VERDADE. Mas às vezes, lá calha...).

O facto de aceitar as novidades faz dela uma mulher sempre na vanguarda (EH!...).

Apesar de sempre parecer um pouco desligada do mundo, é capaz de captar as coisas que acontecem ao seu redor como um radar (VERDADE!!!). Pode pensar que ela não está a prestar atenção ao que diz, que deve estar no mundo da lua imaginando o porquê da existência humana, e, no entanto ela repetirá tudo o que disse no dia seguinte (VERDADE!!!).

Isso vai ensiná-lo de que o processo que elas têm para colher informações é muito maior que sua famosa distracção (EH EH EH... That's classified...). Por falar em distracção, ninguém é mais distraído que a mulher de Aquário (LOOOL... VERDADE!!!).


Onde está o prémio???

CouchSurfing

No outro dia uma amiga de um amigo meu, pediu-lhe o meu número de telemóvel, dizendo que me ia convidar para um jantar em casa dela. Quando ele me disse, fiquei com medo, confesso. Que os amigos dos amigos peçam o meu número, ainda é normal. Mas uma amiga?! Temi o pior. Já me estava a imaginar a ir buscar ao baú o velho discurso de "só te vejo como uma amigo", com os devidos ajustes ao género, obviamente.
Ele alegou que ela me tinha achado simpática e que ia organizar um jantar em casa dela e gostava que eu fosse. Voltei a temer o pior. Desconfiei de arranjinhos...
Entretanto recebi o convite e, curiosa como sou, resolvi aceitar.

Quando lá cheguei deparei-me com uma casa cheia de gente. Parecia que tinha entrado para um filme do Wooddy Allen. Maravilha! Um ambiente descontraído e heterogénio, repleto de pessoas interessantes e de várias nacionalidades. Afinal o que era aquilo?
Aquilo era CouchSurfing.
Eu já tinha ouvido falar e já tinha andado pelo site há uns tempos atrás. Mas a ideia não me tinha convencido. No entanto, depois de ouvir algumas das experiências daquelas pessoas, fiquei convencida. Funciona mesmo!... Fiquei fã.

Eu já me inscrevi no site. Como caloirinha e ainda algo renitente, optei por me mostrar disponível somente para coffee&drinks e aparecer aos meetings que acontecem no Porto. Baby steps.
De qualquer modo, aqui fica a dica, para quem achar o conceito tão interessante quanto eu.

leave me alone and let me be

I Feel Like Going Home - Yo La Tengo

He calls me to the ocean
Takes me wandering through the street
A restless imagination
But for now, I move my feet on the ground
'Cause I feel like going home

I can float above the ceiling
I like drifting through the air
I tend to lose my concentration
But right now the clouds don't appeal to me
I feel like going home

Sometimes late at night
While runnin' from the rain
Running from the voices
Filling up my brain
Now I wish they'd leave me alone
And let me be
To go off on my own
Let me be to go home
I feel like going home

???

Porque é que a maioria das pessoas inteligentes que eu vou conhecendo tendem a substimar as pessoas?
Será que a inteligência e a humildade são incompatíveis?

E esta modinha do sarcasmo para tudo?...

O que é feito da transparência, de se dizer o que se pensa e o que se sente?

Que pessoas são estas?!...

shape of my heart



Oh when I look to the shape of my heart,
It's separated only by scars
That cut in and cut out
Oh and leave me without
Oh a heart that functions at all.

And when I look to the shape of the sky,
I give thanks for this hollow chest of mine;
That I no longer feel
The great weight of ordeals
That can make this life so unkind

Oh and if there's any love in me,
Don't let it show.
Oh and if there's any love in me,
Don't let it grow.

Oh when the wild was all covered by snow,
I forgot the colours that the grass tend to grow.
Oh the trees were all leafless,
And lifeless and black,
And I wondered if the leaves could grow back

For your heart is like a flower as it grows,
And its the rain, not just the sun that helps it bloom,
And you don't know how it feels to be alive,
Until you know how it feels to die

Oh and if there's any love in me,
Don't let it show.
Oh and if there's any love in me,
Don't let it grow.

Oh and if there's any love in me,
Don't let it show.
oh and if there's any love in me,
Don't let it grow.

Oh and if there's any love in me,
Don't let it show.
oh and if there's any love in me,
Don't let it grow

aguçando o apetite

Quando um dos meus livros preferidos vai ao cinema...

HEH?!



Bem-vindo ao Norte

De partir a rir. Muito bom!
É sobre o Norte, carago!...

sinto que um bocadinho de mim, morre...

Trago dentro de mim um bocadinho de cada pessoa que conheço, um bocadinho de cada pessoa que conheci, um bocadinho de cada pessoa que ficou, um bocadinho de cada pessoa que partiu, um bocadinho de cada pessoa que me fez feliz, um bocadinho de cada pessoa que me magoou, um bocadinho de cada pessoa que me fez sorrir, um bocadinho de cada pessoa que me fez chorar, um bocadinho de cada pessoa que admiro, um bocadinho de cada pessoa que desprezo, um bocadinho de cada pessoa que me entende, um bocadinho de cada pessoa que entendo, um bocadinho de cada pessoa que me julga, um bocadinho de cada pessoa que me conhece e um bocadinho de cada pessoa que me julga conhecer...

Feliz dia mundial da música.

Ele tem razão...

Crise financeira: Sócrates diz que famílias portuguesas com poupanças podem estar tranquilas.

Só falta saber que familias são essas, as que têm poupanças...

estreia hoje no TNSC: Siegfried



O Acordar de Brünnhilde (Heil dir, Sonne!)

BRÜNNHILDE
Heil dir, Sonne!
Heil dir, Licht!
Heil dir, leuchtender Tag!
Lang war mein Schlaf;
ich bin erwacht.
Wer ist der Held, der mich erweckt'?

Salve, Sol!
Salve, Luz!
Salve, dia glorioso!
O meu sono foi longo;
acordei.
Quem é o herói que me acordou?


SIEGFRIED
(von ihrem Blicke und ihrer Stimme
feierlich ergriffen, steht wie festgebannt)
Durch das Feuer drang ich,
das den Fels umbrann;
ich erbrach dir den festen Helm:
Siegfried bin ich, der dich erweckt'.

(impressionado com o olhar e a voz de Brünnhilde,
fica petrificado)
Penetrei o fogo
que arde em torno do rochedo;
livrei-te do sólido elmo:
O meu nome é Siegfried. Fui eu quem te acordou.


BRÜNNHILDE
(hoch aufgerichtet sitzend)
Heil euch, Götter!
Heil dir, Welt!
Heil dir, prangende Erde!
Zu End' ist nun mein Schlaf;
erwacht, seh' ich:
Siegfried ist es, der mich erweckt!

(sentando-se)Salve, Deuses!
Salve, Mundo!
Salve, Terra brilhante!
O meu sono chegou ao fim;
acordada, vejo:
Foi Siegfried quem me acordou!


SIEGFRIED
(in erhabenste Verzückung ausbrechend)
O Heil der Mutter, die mich gebar;
Heil der Erde, die mich genährt!
Daß ich das Aug' erschaut,
das jetzt mir Seligem lacht!

(irrompendo num arrebatamento sublime)
Salve, ó Mãe, que me deu à luz!
Salve, ó Terra, que me alimentou!
Para eu ver, feliz,
estes olhos que me riem!


BRÜNNHILDE
(mit größter Bewegtheit)
O Heil der Mutter, die dich gebar!
Heil der Erde, die dich genährt!
Nur dein Blick durfte mich schau'n,
erwachen durft' ich nur dir!

(com grande comoção)
Salve, ó Mãe, que te deu à luz!
Salve, ó Terra, que te alimentou!
Só o teu olhar me poderia ver,
Só para ti poderia acordar!


(Beide bleiben voll strahlenden Entzückens
in ihren gegenseitigen Anblick verloren)
O Siegfried! Siegfried! Seliger Held!
Du Wecker des Lebens, siegendes Licht!
O wüßtest du, Lust der Welt,
wie ich dich je geliebt!
Du warst mein Sinnen,
mein Sorgen du!
Dich Zarten nährt' ich,
noch eh' du gezeugt;
noch eh' du geboren,
barg dich mein Schild:
so lang' lieb' ich dich, Siegfried!
(...)

(ambos ficam num encanto resplandecente,
perdidos no olhar um do outro)
Ó Siegfried! Siegfried! Herói bem-aventurado!
Tu acordas a vida, luz vitoriosa!
Se tu soubesses, alegria do mundo,
como eu sempre te amei!
Tu eras o meu pensamento,
a minha inquietação eras tu!
Cuidei de ti,
antes de o sentires.
Antes de nasceres,
protegeu-te o meu escudo.
Amo-te há todo este tempo, Siegfried!


Deu-me vontade de ir...
Muita vontade mesmo!...
Tanta vontade que sou gaja para... Humm...

Hey, ladies...

Esqueçam o ouro, acções, certificados de aforro, contas-poupança e outros investimentos que tais.
Invistam em vós! Invistam em trapinhos, carteiras e, claro!, muitos sapatos. Pois são dos únicos bens cuja penhora não é permitida!... Sabiam? Eu também não.
Já valeu a pena ter feito esta formação...

E depois de Pablo Neruda... Florbela Espanca

Eu

Eu sou a que no mundo anda perdida,
Eu sou a que na vida não tem norte,
Sou a irmã do Sonho, e desta sorte
Sou a crucificada... a dolorida...

Sombra de névoa ténue e esvaecida,
E que o destino amargo, triste e forte,
Impele brutalmente para a morte!
Alma de luto sempre incompreendida!

Sou aquela que passa e ninguém vê...
Sou a que chamam triste sem o ser...
Sou a que chora sem saber porquê...

Sou talvez a visão que Alguém sonhou,
Alguém que veio ao mundo pra me ver
E que nunca na vida me encontrou!


Amar!

Eu quero amar, amar perdidamente!
Amar só por amar: Aqui... além...
Mais Este e Aquele, o Outro e toda a gente...
Amar! Amar! E não amar ninguém!

Recordar? Esquecer? Indiferente!...
Prender ou desprender? É mal? É bem?
Quem disser que se pode amar alguém
Durante a vida inteira é porque mente!

Há uma Primavera em cada vida:
É preciso cantá-la assim florida,
Pois se Deus nos deu voz, foi pra cantar!

E se um dia hei-de ser pó, cinza e nada
Que seja a minha noite uma alvorada,
Que me saiba perder... pra me encontrar...

para a sesamóide

Dedico-te esta música que nós é tão cara, com votos de rápidas melhoras.

[Aproveito para te dizer que abortei o plano à última da hora e resolvi arriscar tudo, inclusive a minha própria vida: adiei a borracheira, até que a minha companheira da língua preta esteja totalmente recuperada. (Por favor, vê lá se te pões boa até ao próximo fim-de-semana.)]

Passear Contigo - Broa de Mel

Turururururu tu

S.O.S.

Alguém me leve para os copos, por favor! É um caso de vida ou morte!
Nem precisa ser all night long. Prometo que em duas horitas resolvo o assunto.

deformação profissional

25 de Setembro de 2008 - 20h10m

Imaginem o seguinte cenário: 37 contabilistas (sim, eu contei, tal era o meu desespero) e um advogado, fechados numa sala abafada e mal iluminada, depois de um interminável e infernal dia de trabalho. Pelo menos, o meu foi.

Agora deixem-me falar-vos acerca desta caricata classe profissional: os contabilistas ou Técnicos Oficiais de Contas, se nos quisermos perder com preciosismos.

Como o próprio nome indica, os TOC são os profissionais devidamente habilitados a fazer contas. Nada mais, nada menos.
Passam o dia submersos em papelada, executando tarefas de carácter exclusivamente prático, onde não há espaço para qualquer tipo de criatividade. Aliás onde não há espaço para nada. A coisinha mais criativa que um contabilista pode fazer é imprimir uma balancete a cores em vez de o fazer a preto e branco. E mesmo isto só está ao alcance dos contabilistas mais audazes. Contabilistas audazes. Gostaram da piada?
Isso da contabilidade criativa é um mito. A bem da verdade, os contabilistas nem exercem contabilidade mas sim fiscalidade. Mas, adiante! Que esta é uma discussão a ter em sede própria.

O contabilista estereotipado é uma pessoa enfadada e enfadonha, incolor, de óculos, incapaz de sair da linha ou de ousar. É o verdadeiro chato.

Para aqueles que estão neste momento a esboçar um sorriso por supostamente ter apanhado a gaja do discurso “abaixo os estereótipos” a fazer uso deles, tenho a dizer em minha defesa que eu sou contra os mesmos quando estes são usados de forma (quase) vinculativa. Obviamente que é impossível não recorrermos a eles. Desde que se tenha sempre bem presente que são falíveis e redutores, e que não passam de meros indicadores. Aliás, como foi o caso.
Porque obviamente nem todos os contabilistas são assim. Eu não sou assim. Estou enfadada, é certo, mas não me considero uma pessoa enfadonha. Serei?! Acho que não. Na maioria do tempo, pelo menos. Uso óculos mas são vermelhos. Estou a usar cores neutras mas tenho um enorme decote. Não sou muito ousada mas é difícil manter-me, ou manterem-me, na linha.

E perguntam vocês, leitores atentos e fiéis seguidores desta contabilista enfadada, se não te identificas com essa profissão porque a escolheste?
Ora aí está uma excelente questão! Ainda bem que a colocaram.
Também eu me pergunto recorrentemente como vim aqui parar. Acho que não fui eu que a escolhi, foi ela que me escolheu. Eu só senti o chamamento.
Eu estava tão bem encaminhada para seguir artes. Digam lá se eu não ia dar uma artista e tanto. Já com o processo de transferência diferido para a Escola Secundária Soares dos Reis, o berço dos nossos artistas. E, de repente, à última hora, isto é impulse! Deu-me um dos meu tão característicos vipes e eu resolvi voltar atrás e seguir Economia. Jogar pelo seguro, no fundo.

Na verdade eu não me arrependo. Também não adiantava nada arrepende-me.
Sempre é preferível assim. Porque é perfeitamente viável pincelar com arte o mundo a preto e branco da contabilidade. Portanto, consigo ter as duas. Aliás até me dizem muitas vezes “Tu é que és artista!”.
No caso de ter seguido artes, provavelmente, nem o meu extracto bancário conseguiria entender. Isto partindo do princípio que até ia ter um.

Mas, regressando ao assunto.
O contabilista é a pessoa que mais sabe sobre a empresa, é o faz-tudo e tudo sabe. No entanto, no que se refere à tomada de decisão... Não é da sua competência.
O contabilista não corre riscos. De qualquer tipo. O Princípio da Prudência, um dos pilares da contabilidade, não permite.
Portanto, a essência do contabilista é ser aquela pessoa certinha e direitinha, que nunca parte um prato.

À minha frente tenho o formador, um advogado, a debitar palavras quase à velocidade da luz. A debitar palavras à velocidade da luz para pessoas que só lidam com números. Imaginem as expressões faciais e corporais dos formandos.

Não consigo deixar de me perguntar se haverá profissão tão oposta à de contabilista quanto a de advogado. Isto é quase como tentar dissolver uma gota de azeite em água.
Mas ele está a esforçar-se. De vez em quando diz umas piadas, bem básicas, que é para o pessoal conseguir perceber. Há pouco puxou por uma e só uma pessoa se riu.

Humm... Curioso! Os advogados, pelo menos os que conheço, têm todos o mesmo sentido de humor.

Estou enfadada até aos ossos. Estou a bater pestanas desde que entrei e ainda faltam duas horas para este suplício terminar. De cada vez que me lembro que ainda tenho mais uma semana deste inferno, só me apetece é saltar pela janela. (Por acaso, a única coisa que esta sala tem de bom é a vista: o rio Douro.)
Parece que voltei ao ensino superior mas sem a parte boa: andar sempre bêbeda e baldar-me às aulas.

[Disse o formador agora: para os TOC – denominação politicamente correcta, como convém – 2+2=4. Para um advogado é o que ele quiser, desde que consiga defender. Agora é que ele disse tudo!]

E as minhas férias, estão para ser ou está difícil?
Planear fazer tudo e mais uma coisa e acabar as férias sem fazer nada.
Acordar tarde e a más horas. Andar pela casa em pijama e descalça. Cansar-me até à exaustão precoce de tantas piscinas fazer da cama para o sofá e do sofá para a cama. Arrumar de vez a tralha toda antes que isto se torne a FIC (Feira Internacional de Custóias).

Estou tão cansada que já nem sei que disparates escrevi, a quantas ando, o que digo ou que o faço.
O meu cérebro entrou em modo Função-Pública-às-cinco-da-tarde-de-sexta-feira: “estamos sem sistema”. Volte segunda-feira, às nove.

Por agora, só peço para que isto hoje acabe cedo, de modo que eu possa ir para casa, tomar um enorme banho com tudo a que tenho direito e...cama! Mesmo sem jantar, que estou tão cansada que nem apetite tenho. Talvez fume um cigarro de substituição e tiptop!

E pensar que hoje de manhã (parece que já passaram dias, desde esse momento) fazia planos de ir ao Batô.
É já a seguir!...

comecei o dia assim...

Esta música deixa-me fora de órbita.

Fiquei com vontade de sair para dançar. E... adivinhem que dia é hoje...
Última quinta-feira do mês... Noite de Batô!

"Fecha a cremalheira!"

Há quem siga o blogue e não me conheça.
Como leitora de outros blogues cujos bloggers não faço ideia quem sejam mas gosto de imaginar, resolvi saciar a eventual curiosidade desses anónimos e colocar umas fotos minhas.

Há dias assim...


E dias assim...


Uma coisa é certa. A cremalheira (conforme me dizem. que palavra tão horrenda. é quase tão horrenda como a própria palavra horrenda ou a palavra asquerosa.) anda sempre à mostra.

É tão fácil fazerem-me feliz

o meu "magalhães"


Comprei o EeePC!...

Um portátil de gaja! Cabe na mala. Vai substituir (ou não!) o meu bloco de notas.

Agora é que vai ser: posts em real time.
Medo, muito medo!...

Infelizmente, o copo de vinho não veio com o "Baby" (Foi assim que o baptizei. Bem foleiro, hã?...)

once

No mesmo tom

Óptimo filme para ver embrulhados numa mantinha.



Ouvidos abertos à banda sonora, pois claro.

António Lobo Antunes, mais uma vez

Um texto lindo, enternecedor, comovente. Adorei!
Leiam, sff!!!

O meu irmão João

Peço Silêncio

Pabro Neruda

Agora me deixem tranquilo.
Agora se acostumem sem mim.

Eu vou cerrar os meus olhos.

Somente quero cinco coisas,
cinco raízes preferidas.

Uma é o amor sem fim.

A segunda é ver o Outono.
Não posso ser sem que as folhas
voem e voltem à terra.

A terceira é o grave Inverno,
a chuva que amei, a carícia
do fogo no frio silvestre.

Em quarto lugar o Verão
redondo como uma melancia.

A quinta são os teus olhos,
Matilde minha, bem-amada,
não quero dormir sem os teus olhos,
não quero ser sem que me olhes:
eu mudo a Primavera
para que continues me olhando.

Amigos, isso é quanto quero.
É quase nada e quase tudo.

Agora se querem, podem ir.

Vivi tanto que um dia
terão de por força me esquecer,
apagando-me do quadro negro:
meu coração foi interminável.

Porém porque peço silêncio
não creiam que vou dormir:
passa-se comigo o contrário:
sucede que vou viver.

Sucede que sou e que sigo.

Não serás, pois lá bem dentro
de mim crescerão cereais,
primeiro os grãos que rompem
a terra para ver a luz,
porém a mãe terra é escura:
e dentro de mim sou escuro:
sou como um poço em cujas águas
a noite deixa suas estrelas
e segue sozinha pelo campo.

Sucede que tanto vivi
que quero viver outro tanto.

Nunca me senti tão sonoro,
nunca tive tantos beijos.

Agora, como sempre, é cedo.
Voa a luz com suas abelhas.

Me deixem só com o dia.
Peço licença para nascer.

everybody's a DJ *

* Ler com muito cuidado e pausadamente. Pode ferir susceptibilidades.

Hoje recebi um convite por mail para ir a uma festa onde as DJs seriam uma dupla feminina que conheço de "Olá, tudo bem?" e que marcam presença assídua num espaço nocturno que frequento com alguma regularidade, embora não goste muito de lá ir. É uma longa história e um contra-senso pegado, que nem vale a pena referir.
Já é costume, volta e meia, serem elas a pôr (O conceito "pôr" adquiriu novos horizontes de uns tempos para cá. Outra história...) música nesse espaço. Mas o que mais me chocou é que desta vez elas vão animar a festa num espaço relativamente recente e pelo qual ainda guardava alguma consideração, pois primava por fugir ao "mais do mesmo".

Dei por mim a pensar: mas será que agora toda a gente é DJ? Somos um país de treinadores de bancadas e de DJs em part-time?!
Quase toda a gente que eu conheço (passo o exagero) é DJ e/ou treinador de bancada.

É à custa desta fraca exigência que os espaço nocturnos da cidade invicta estão cada vez piores. A música é praticamente a mesma em todo o lado. Qualquer pessoa minimamente informada acerca do panorama musical actual, adivinha com facilidade o set do pseudo-DJ de serviço.
Eu desconfio que a maior parte deles leva o set preparado no Mac e limita-se a fazer play. Independentemente do pessoal estar a aderir ou não.

Hoje em dia não são os DJs que fazem as pistas (e consequentemente as casas) mas sim as pessoas (e as casas) que fazem os DJs.

Se analisarmos as agendas dos diversos espaços, reparamos que os DJs são sempre os mesmos. E se formos mais atentos ainda, reparamos que o percurso que fazem é quase sempre o mesmo. Começam por um pequeno bar, passam para um maior, até conseguirem chegar a um espaço dito badalado.

E inovar, não?!

Não perdoo o Triplex por se ter vendido à dupla maldita das Gigis e ter tornado aquele que foi um espaço de vanguarda e o meu espaço de eleição durante tanto tempo, no degredo total que se está a tornar. Ainda assim, de vez em quando, lá pico cartão, na esperança vã de uma noite bem passada.
Eu sei que as Gigis foram, ou são, um mal necessário. Que existiam outros problemas que não são para aqui chamados. Mas chateia na mesma.

Tudo porque o que é diferente, não vende. O mal da cultura e da massificação da contra-cultura (esta é para ti, Lima-Limão). As pessoas saem para ouvir os hits e as musiquinhas que conhecem. Cambada de carneirinhos.

Isto não é mau feitio, é chamar as coisas pelos nomes.

Qual o meu espanto quando no outro dia me disseram que o Trintaeum corre sérios riscos de não voltar a abrir! Como pode?! Eu ainda estava com esperança que James Murphy desse uma perninha pelo Porto aquando da sua passagem pelo 10.º aniversário da Lux. Mas, sendo assim, mais vale esquecer.
Nicola Conte passou pela cidade no fim-de-semana passado. Ir assistir a um set de Nicola Conte, que para mim já esteve em muito melhor forma, num sítio que está sempre às moscas, não dá grande pica.
O Indústria parou no tempo. Nem sequer há informação do que se passa por lá, se é que se passa alguma coisa. Está para breve o aniversário...
Resta-nos as noites Clubbing da CdM e pouco mais ou nada.
O Plano B tentou. Organizou uma festival de música electrónica às três pancadas. Começou por estar agendado para ser realizado em Matosinhos, passou pelo CDUP e acabou no Pavilhão Rosa Mota. Por favor! É no Pavilhão Rosa Mota que se realizam as festas da Rádio Festival. Não era difícil de prever como a coisa ia correr. Eu preferi nem arriscar. Mas essa foi uma opção só minha.

Eu saio para me divertir. Para usufruir da companhia das pessoas que gosto e para ouvir música, de preferência diferente da que ouço em casa.
Há quanto tempo não me acontece sair e ouvir uma música que me chama o ouvido, e depois andar doida a tentar descobrir de quem é.

É por estas e por outras (a idade também não ajuda e a paciência para aturar pessoal bêbado é cada vez menor), que cada vez mais prefiro ficar pelo GaBar.
O mais irónico é que no GaBar eu sou a DJ de serviço.

E esta, hein?!...

lipstick power

Já andava divertida a acompanhar este descabido entusiasmo à volta de Palin. Acho ridículas algumas das coisas que são discutidas. Acho ridículo como os críticos se perdem facilmente com o acessório, esquecendo-se do que é essencial. Acho-os rídiculos mas divertem-me.
Hoje fiquei particularmente divertida quando li no jornal que Marco António precisa de 3000 mulheres. Fiquei divertida por o ter assumido publicamente e curiosa por saber como o vai conseguir.

Gosto quando começo o dia assim, a rir, divertida.

foge, foge bandido

Que saudades de Manuel Cruz!
Acho que já falei, aqui há tempos, deste projecto do grande Manuel Cruz: Foge Foge Bandido. Não está à venda na Fnac.
Adoro as letras dele. Sigo-o desde o tempo dos Ornatos. Já lá vão... Xiiii, muitos anos...
Já passa nas rádios. Finalmente!
Grande letra!

Borboleta - Foge Foge Bandido

se eu largar eu sinto a sua falta
se eu agarro ela perde a côr
ela não é dos meus dedos
é dos meus medos
e faço-me passar por uma flor
tento imaginar o que ela diz
à espera de aprender
à face da rua existe a rua
mas não é tua
à margem da estrada não há nada
mas já te agrada
tu és o teu mundo
tu és o teu fundo
tu és o teu poço
és o teu pior almoço
és a pulga na balança
és a mãe dessa criança
és o mal
és o bem
és o dia que não vem
agora pára de fazer sentido
não vês que assim estás a pisar fora da estrada
vê se agora páras de fazer sentido
não vês que nada nos dirá mais do que nos diz NADA
vê que o meu coração ainda salta
quer e julga ser capaz
não o faça por meus medos
faça nos dedos
e eu fico para ver o que ele faz
sem imaginar o que eu não fiz
à espera de viver
à face da chama existe a fama
mas não te ama
à margem do nada não há estrada
já não te agrada
tu és o teu preço
és a tua glória
tu és o teu medo
és a parte má da história
vê que o sol ainda brilha
ainda tem por onde arder
não é mau
não é bem
são razões para viver
agora pára de fazer sentido
não vês que assim estás a pisar fora da estrada
vê se agora páras de fazer sentido
não vês que nada nos dirá mais do que nos diz NADA
se eu largar eu vou sentir a sua falta
tu és tu sempre que tu és
és mesmo tu quando pensas que és outra coisa
e tu pensas que não mas tu és mesmo bom a ser sempre
quem és
daí o teu motivo ser inapagável
daí o teu desejo ser incontornável
o prazer é tão maleável
daí o seu valor ser inestimável
a razão de existir um poeta é

presente de Brunhild



Andava eu a fazer horas para ir ao cinema, perdida na Livraria Leitura (C.C. Bom Sucesso), e, na secção de poesia, este pequeno livro colorido chamou-me a atenção. Já tinha lido poemas avulso de Pablo Neruda mas não os tinha bem presentes na memória.
Abri o livro à sorte e li um poema. Era lindo! Voltei a fechar e abrir novamente à sorte. Li um outro poema. Lindo, lindo! Comprei o livro.
Agora que acabei de o ler, fiquei com vontade de vasculhar a vida toda de Neruda e ler toda a sua obra.
Já fiz uma pré-pesquisa e parece que este livro recolhe somente poemas dele na sua fase romântica. Portanto, há muito mais Neruda para descobrir...


Não te quero senão porque te quero,
e de querer-te a não te querer chego,
e de esperar-te quando não te espero,
passa o meu coração do frio ao fogo.

Quero-te só porque a ti te quero,
Odeio-te sem fim e odiando te rogo,
e a medida do meu amor viajante,
é não te ver e amar-te como um cego.

Talvez consumirá a luz de Janeiro,
seu raio cruel meu coração inteiro,
roubando-me a chave do sossego.

Nesta história só eu me morro,
e morrerei de amor porque te quero,
porque te quero, amor, a sangue e fogo.





É assim que te quero, amor,
assim, amor, é que eu gosto de ti,
tal como te vestes e como arranjas
os cabelos e como a tua boca sorri,
ágil como a água da fonte sobre as pedras puras,
é assim que te quero, amada.
Ao pão não peço que me ensine,
mas antes que não me falte em cada dia que passa.
Da luz nada sei, nem donde vem nem para onde vai,
apenas quero que a luz alumie,
e também não peço à noite explicações,
espero-a e envolve-me,
e assim tu pão e luz e sombra és.
Chegastes à minha vida com o que trazias,
feita de luz e pão e sombra,
eu te esperava,
e é assim que preciso de ti,
assim que te amo,
e os que amanhã quiserem ouvir
o que não lhes direi, que o leiam aqui
e retrocedam hoje porque é cedo
para tais argumentos.
Amanhã dar-lhes-emos apenas
uma folha da árvore do nosso amor, uma folha
que há de cair sobre a terra
como se a tivessem produzido os nosso lábios,
como um beijo caído
das nossas alturas invencíveis
para mostrar o fogo e a ternura
de um amor verdadeiro.



E podia ficar aqui o dia todo a postar poemas de Pablo Neruda.

Hoje acordei assim... Que posso fazer?!...
Se tivesse namorado, hoje o desgraçado estaria mais desgraçado que nunca...

solidão: estado de quem está só

No fim-de-semana, numa tentativa de quebrar a inércia rotineira e dar algum descanso ao leitor de DVD, resolvi levar a cabo um dos meus programas preferidos: passear pela cidade, sozinha, sem rumo e sem destino.

Sentia-me como sinto a cidade: melancólica, solitária, mas hospitaleira, perseverante.

Equipei-me a rigor: calças de ganga, t-shirt e sapatilhas. Optei por fazer dois totós, colocar um chapéu e os óculos de sol. Quando o faço, fico sempre com a sensação que me torno invisível. Apetecia-me ser invisível.
Coloquei os três livros que andava a ler e o meu bloco de notas no saco e saí porta fora.

Calcorrear a cidade, tranquiliza-me. Observar as pessoas nas suas vidinhas, conforta-me de alguma forma. E andar, ajuda-me a espairecer.

É engraçado. Raramente me sinto sozinha quando estou só. Na maior parte das vezes, a solidão ataca-me quando estou acompanhada. Porque será?

Quando abanquei numa esplanada para lanchar e ler um pouco, fui acometida precisamente por esse pensamento e lembrei algumas conversas idas.

A maior parte dos meus amigos (quando digo amigos refiro-me a amigos e amigas), todos na casa dos 'intinhas, solteiros na sua maioria, se queixam, volta e meia, da solidão.
Verdade seja dita, a maldita, não é mais que o reverso da medalha da vida que escolhemos. Por isso há que aguentar a pressão sem demasiadas lamentações. A teoria é muito bonita, eu sei.

Escolhemos esperar, preferimos arriscar, optamos pelo "tudo ou nada", em detrimento da vidinha normal: encontrar alguém que nos dê estabilidade e nos trate bem, casar e ter filhotes.
Queremos mais! Mas o quê?

(Continua amanhã... Mas podem ir deixando nos comentários o que querem...)

notícias da clausura

Ando a empanturrar-me de livros e filmes. Deve ser uma forma de (tentar) encher o vazio. Não sei.

No outro dia assisti a um filme, cujo personagem principal, tinha uma divisão da casa forrada a livros.
Muitos poderão cair na tentação de chamá-la de biblioteca. Eu prefiro vê-la como a Divisão dos Sonhos.
Senti inveja, inveja saudável, daquela personagem. Deu-me vontade de forrar, pelo menos uma parede de minha casa, de cima a baixo, com estantes repletas de livros. Uma outra com Cds. E outra com DVDs. Um sem fim de mundos e de possibilidades.

Gosto de livros, de música e de filmes pela capacidade que têm de me fazer voar.
Porque esta sensação que tenho de estar presa, afinal não será tanto à vidinha que levo, mas sim a estar presa dentro do meu corpo.
Deve ser mais ou menos assim que as galinhas se sentem. Deram-lhes asas mas não conseguem voar. Passam a vida a dar às asas, esvoaçam, mas voar, nada. Talvez por isso sejam tão parvinhas e passem a vida a cacarejar. E depois ficam doidas.
Eu pergunto-me o mesmo: para que me deram asas se não consigo voar? Eu bem tento, mas não consigo.
Talvez venha daí o cansaço que se abate sobre mim tantas vezes. Demasiadas tentativas infrutíferas em voar. Cansa!

Tenho toda a liberdade mas não me sinto livre.
Talvez seja o medo que me impeça de voar. O medo do ridículo. Tenho receio que me apontem o dedo e digam "Olha onde já se viu uma galinha a voar?! Deve ter a mania que é pássaro."
Eu, como portuguesinha que sou, tenho o sonho de bater um recorde do Guinness. Mas pretendo ser a gaja que mais vezes foi aumentada num ano. E não a primeira galinha a conseguir voar.

Piadas à parte, que o assunto é sério, gostava de me conseguir libertar.

O meu interior parece um pequeno vulcão, sempre a borbulhar.
Sou ansiosa por natureza, inquieta, curiosa, indecisa e, sobretudo, muito impulsiva. Isto tudo sob uma aparente tranquilidade.
Sou dicotómica. Acho que já o disse anteriormente, a minha personalidade absorveu o principio da dicotomia, pilar essencial da minha profissão. Debito por um lado e credito pelo outro.

Nada é simples para mim. A não ser eu.

Tomar decisões são um martírio. Analiso tudo ao pormenor, racionalizo, dou em doida e depois acabo por mandar tudo ao ar e decidir por impulso.
Há quem chame os meus impulsos de caprichos.
Chateiam-me quando me dizem isso. Porque alguém caprichosa é alguém que usa, abusa e manipula. Eu não faço nada isso. Pelo menos de uma forma consciente.
Chateiam-me quando depositam demasiada fé em mim. Chateiam-me quando se aproximam de mim pela minha aparência, por ser gaja, e se esquecem que aqui mora uma pessoa.
Chateiam-me quando teimam em me enfiar numa caixa rotulada demasiado pequena para mim, onde me sinto asfixiar.

Tal como Clementine (do filme The Eternal Sunshine of the Spotless Minds) só me apetece gritar "Too many guys think I'm a concept, or I complete them, or I'm gonna make them alive. But I'm just a fucked-up girl who's lookin' for my own peace of mind; don't assign me yours." . E eu sei que não é correcto ou justo fazê-lo. Porque provavelmente eu procuro o mesmo noutra pessoa.

Então, o que procuro?... Provavelmente algo que nunca vou conseguir encontrar. Porque as galinhas não voam.
Não quero uma relação. As relações são só uma desculpa para combater a solidão.
Quero interacção! Alguém que grite "esfola" quando eu digo mata. Alguém que me faça gritar "esfola" quando diz mata. Já nem peço alguém que antecipe um "'Tá a apetecer-te matar, não 'tá?".

Eu sei, eu sei... Vejo demasiados filmes, leio demasiados romances... Que posso eu fazer?!... É o mais próximo que arranjei de voar...

2008: o ano em que só fiz merda - NOTÍCIA OFICIAL

Diz o ditado que o que nasce torto jamais se endireita. Devia ter tido isto bem presente logo no início do ano. Tinha evitado alguns dissabores.

Comecei o ano a cometer um dos maiores erros de sempre. Já estou habituada a cometê-los mas, normalmente, sou só eu quem sofre as consequências. É uma resolução de ano novo recorrente: deixar de ser a minha pior inimiga. Mas desta vez não fiz a coisa por menos. Foi por tudo o que era lado.
Depois disso, lá devo ter entendido que perdido por cem, perdido por mil, e a partir daí, foi um desfilar de tiros nos pés. Até hoje. Nove meses de asneirada pegada.

Parece que entrei sozinha numa feira de diversões mas daquelas de quinta categoria, do género da de Coney Island, a feira dos freaks.
Comecei pelos carrinhos de choque, labirinto de espelhos, montanha russa, casa dos horrores e, por fim, o carrossel: eu no centro e tudo o resto a gravitar à minha volta. O pior de tudo é que eu quero sair, mas não estou a conseguir.
Já não sei em quem me transformei. Não me reconheço em muitas das minhas atitudes. Já não me aguento, estou farta de me aturar. Farta de tudo, para ser muito sincera.
Apetecia-me ser invisível. Que ninguém desse por mim, que eu pudesse vaguear à minha vontade. Sinto-me presa. Presa a esta vida acomodada e nada fazer para mudar. Sinto-me revoltada mas não sei bem contra quê ou quem. Talvez contra mim. Sinto uma dor constante que não sei de onde vem. Gosto de pensar nela como uma dor de crescimento. Como aquelas que se tem na adolescência. Só que esta não é física. Aliás, às vezes parece mesmo que é aí que me encontro, na adolescência. Sim, é isso mesmo. A mesma dor e a mesma revolta. A mesma vontade de me isolar do mundo. Se não fosse dramático, seria cómico. Sou mesmo menina para ainda achar piada à situação.
Sinto-me um comboio completamente fora de controlo: por vezes lento e calmo, ao passar nas planícies; mas, na maior parte das vezes, violento e arrasador. Eu não tenho controlo sobre ele. E ninguém parece ter.

Conclusão, vou retirar-me. Espiritualmente, pelo menos. Já que fisicamente não me é possível.
Talvez seja disso que eu precise, de me encontrar. É possível que não volte a ser quem era porque há coisas que nos marcam profundamente e que nos impedem de voltar. Mas prometo tentar... Prometo mesmo.

L'Ângela

Conheci a L'Ângela, devia ela ter uns cinco anos. Entrou pela porta dentro, pela mão da vizinha. Quando me inclinei para a saudar, aquela criança de olhos vivos saltou ao meu pescoço, num abraço apertado, demorado, sentido. Um abraço que me fez subir as lágrimas aos olhos. "Ela é assim", foi a resposta dada pela vizinha, quando a olhei inquisidora, ainda perturbada pelo impulso daquela misteriosa criança.
A bem da verdade, não sei quem precisava mais daquele abraço: se L'Ângela, se eu.

A partir desse dia, L'Ângela pisgava-me lá para casa sempre que podia, para o pé de mim.

Soube que era uma criança que vivia com muitas dificuldades financeiras e num péssimo ambiente familiar. Teria sido abandonada pela mãe, ainda em bebé, tendo ficado a viver com a avó, uma vez que o pai andava sempre envolvido em conflitos, mais ou menos graves.
Ninguém dava atenção a L'Ângela. Ela estava a ser criada entre gritos e porrada.
Podia ter-se tornado uma criança fechada e revoltada, mas não.
L'Ângela não era doce e terna, à primeira vista. Pelo contrário, era arisca, com a resposta pronta na ponta da língua, impedindo que se aproximassem demasiado dela.

Dava com ela a observar-me à distância, como a fazer-se convidada para entrar. Eu puxava por ela. Gostava de conversar com ela, ver até onde ela ia. Desconfiada, muitas vezes olhava-me de soslaio a tentar perceber onde queria chegar. Não era propriamente inteligente, mas era perspicaz, intuitiva, com o sexto sentido apurado.
Sentia-a, na maior parte das vezes, inquieta, nervosa. Um nervoso miudinho. Inconformada.
No entanto, ao pé de mim, parecia-me sempre mais calma, a sossegar. Deitava-se ao pé de mim, meio a medo, e ficava ali, sem me incomodar, fazendo-me companhia enquanto eu lia.

Uma vez, decidimos colorir. Gosto de explorar a imaginação das crianças, principalmente através do desenho.
L'Ângela disse-me que ia fazer um desenho para mim. Qual o meu espanto, quando ela me entrega o desenho: eu e ela, e em letras garrafais, um gosto muito de ti.
Já mal me segurava mas ainda lhe consegui dizer que também gostava muito dela. Ela abraça-se a mim e pergunta-me se eu não queria ser mãe dela. Só senti um aperto enorme no peito e um nó na garganta. Como é que explicava àquela criança que o que ela me pedia não era possível?...
Seguiu-se uma das conversas mais dificeis que já tive. Ela sentada no meu colo, aqueles olhos a fitarem-me, pedindo-me para que os fizessem compreender porque tinha de ser assim, e eu sem saber dar-lhes uma explicação minimamente convincente. Ainda hoje não sei como me consegui segurar sem desabar num pranto. Eu só conseguia pensar no que aquela criança sofria, na falta de atenção que tinha. Na forma como ela se apegou a mim, só porque lhe dava alguma atenção.
Aquela criança tinha um superávit de amor para dar e, ao mesmo tempo, sofria de um deficit enorme de afecto. E como eu a compreendia.

Por imposições da vida, não vejo L'Ângela há anos. Da última vez que tive notícias dela, soube que tinha ido viver com uma tia. Espero que a tia lhe proporcione e vida que aquela menina merece, que saiba chegar até ela, que a compreenda e lhe dê o que ela precisa. Ela precisa de tão pouco. Não é justo que nem isso receba.

Não há um dia que passe sem que eu lembre L'Ângela.
Aquele abraço que me deu da primeira vez que nos vimos, marcou-me para sempre. Recordo-o muitas vezes e no bem que me fez.

Assim falava Zaratustra

DO AMOR AO PRÓXIMO

"Vós outros andais muito solícitos em redor do próximo, e a vossa solicitude exprime-se com belas palavras. Mas eu vos digo: o vosso amor pelo próximo é apenas o vosso amor por vós próprios."
"É para fugirdes de vós que andais em volta do próximo, e quereríeis converter isso numa virtude: mas pus a claro o vosso «desinteresse»"

"Não suportais a vossa própria companhia, e não vos amais o suficiente; procurais então seduzir o próximo com o vosso amor e doirar-vos com o seu erro."

"Um procura o próximo porque se procura, o outro porque anseia perder-se. O vosso mau amor por vós próprios converte a vossa solidão num cativeiro."

"Eu ensino-vos o amigo de coração transbordante. Mas é preciso saber ser como uma esponja quando se quer ser amado por corações transbordantes."

"Existem tantos pensamentos grandes que apenas fazem o mesmo que um fole: inchando aumentam o vazio."

"Há homens a quem não deves estender a mão, mas a pata; e faz com que a tua pata tenha garras."


DOS CAMINHOS DO CRIADOR*
(Se não desse muito trabalho, transcrevia esta secção toda)

"Solitário, segues o caminho que conduz a ti próprio, e aos teus sete demónios."

"É preciso que te queiras consumir na tua própria chama: como poderias renascer, se não fosses primeiro consumido?"

"Solitário, segues o caminho do amoroso: amas-te a ti mesmo e por isso te desprezas como só sabem desprezar os amorosos."

por falar em chuva...



Raindrops keep fallin' on my head
And just like the guy whose feet are too big for his bed
Nothin' seems to fit
Those raindrops are fallin' on my head, they keep fallin'

So I just did me some talkin' to the sun
And I said I didn't like the way he got things done
Sleepin' on the job
Those raindrops are fallin' on my head, they keep fallin'

But there's one thing I know
The blues they send to meet me won't defeat me
It won't be long till happiness steps up to greet me

Raindrops keep fallin' on my head
But that doesn't mean my eyes will soon be turnin' red
Cryin's not for me
'Cause I'm never gonna stop the rain by complainin'
Because I'm free
Nothin's worryin' me

[trumpet]

It won't be long till happiness steps up to greet me

Raindrops keep fallin' on my head
But that doesn't mean my eyes will soon be turnin' red
Cryin's not for me
'Cause I'm never gonna stop the rain by complainin'
Because I'm free
Nothin's worryin' me

Párem com isso!

Juro que não fui eu que pedi esta chuva com o intuito de estragar a festa dos aviõeszinhos! Eu jamais seria capaz! Vocês sabem disso, certo?!...

eu quero. posso. e faço.

A administração do Rui Rio faz-me lembrar o meu tempo de RP da Associação de Estudantes.
Era mais ou menos assim: quando me apetecia andar de kart, organizava um campeonato de karting. Quando me apetecia beber até cair sem gastar dinheiro, organizava uma festa [(i)memorável festa na praia!]. Quando queria mudar de visual, organizava uma passagem de modelos. Era fácil!

aquele querido mês de Agosto

Há cenas de chorar a rir. E pormenores de mestre. Muita atenção a eles.
O filme é uma visão kitsch (Gosto desta palavra. Mas gosto mais de quiche.) do interior, dos costumes e das pessoas, deste nosso país. É de ver com um brilhozinho nos olhos. Eu aconselho!

E as letras das músicas?!... Ai, a banda sonora!...

Agora apetecia falar da regionalização mas eu ando numa fase bery light. Sem paciência para discussões muito ou pouco profundas. Vamos deixar isso para o Inverno. Mas que apetecia, apetecia...


PS - Já vi Wall-e e não chorei!

:(

Será impressão minha ou anda (quase) toda a gente assim um pouco para o deprimida ou desanimada?!...
Parece que a super Brunhild vai ter de entrar em acção!... Vai, vai!...

peço a ajuda do público

Faz-me lembrar algo conhecido mas não consido identificar o que é! Help!



Oh Sugar
Soulbizness

humm...

O texto anterior lembrou-me esta passagem d' Assim falava Zaratustra, de Nietzsche.
Tem um fundo de verdade, as mulheres podem ser muito cruéis, principalmente umas com as outras. Mas não é totalmente verdade...

"Houve durante muito tempo na mulher um escravo e um tirano escondidos. Por isso a mulher ainda não é capaz de amizade: apenas conhece o amor.
Há no amor da mulher injustiça e cegueira para tudo quanto não ama. E mesmo no amor iluminado da mulher fica sempre, ao lado da luz, a surpresa, o relâmpago e a noite.
A mulher ainda não é capaz de amizade: gatas, eis o que são as mulheres, ou aves; ou, quando muito, vacas."

Muito bem!

Confesso que ando um bocadinho farta de "ouvir falar" das eleições presidenciais norte-americanas. Não será novidade para ninguém a minha relação amor/ódio relativamente ao modo como se "faz política" hoje em dia. Seja onde for.
Embarquei com a maioria no descrédito total pelos políticos.
No entanto, este texto merece todas as referências possíveis, pela questão pertitente que coloca:

O machismo dos liberais americanos

cliché #5684456892

Porque me apetece!... Porque acredito!... Porque são efeitos secundários do slide siper-homem!... Porque o que não tem remédio, remediado está!... Porque hoje está sol!... Porque sim!...

I Believe I Can Fly - R. Kelly

I used to think that I could not go on
And life was nothing but an awful song
But now I know the meaning of true love
I'm leaning on the everlasting arms

If I can see it, then I can do it
If I just believe it, there's nothing to it

[1]
I believe I can fly
I believe I can touch the sky
I think about it every night and day
Spread my wings and fly away
I believe I can soar
I see me running through that open door
I believe I can fly
I believe I can fly
I believe I can fly

See I was on the verge of breaking down
Sometimes silence can seem so loud
There are miracles in life I must achieve
But first I know it starts inside of me, oh

If I can see it, then I can do it
If I just believe it, there's nothing to it

[Repeat 1]

Hey, cuz I believe in me, oh

If I can see it, then I can be it
If I just believe it, there's nothing to it

[Repeat 1]

Hey, if I just spread my wings
I can fly
I can fly
I can fly, hey
If I just spread my wings
I can fly
Fly-eye-eye

"Quando sou boa, sou óptima. Mas quando sou má, sou ainda melhor." *

* Mae West

De tantas vezes me dizerem que eu não existo, qualquer dia, não muito distante, começo a acreditar que sou fruto da imaginação de alguém. Quanto mais não seja da minha!...

Porque é que teimam em me dizer que eu não existo, quando sou boazinha (e não boazona!...), e me mandam directamente para a prisão, sem passar na casa da partida, quando eu sou mázinha?!... Não é justo!

é a reentré

Todos os anos é a mesma coisa. Porque razão o país pára durante o mês de Agosto?!... Aliás, a Europa pára. Já estava na alturinha de se mudar isso, não?... Enfim...
Agora que o mês de Agosto chegou ao fim (Já se nota no trânsito. Maldição!), começam a chegar as novidades...

1) Nouvelle Vague no Teatro Sá da Bandeira a 8 de Novembro
Adoro esta banda e nunca assisti a um concerto deles, apesar de passarem cá a vida. Eu já não digo nada. Será que é desta?...

2) Roisin Murphy no Clubbing a 31 de Outubro
Este, dê por onde der, Brunhild não perde!

O Tone e as quatro Marias foram passear

Sexta-feira, 20h00, partida para o DiverLanhoso, para um fim-de-semana radical. Sim, leram bem, um fim-de-semana radical!...
Eu, menina da cidade, com fobia a bichinhos e a alturas, praticante assídua, única e exclusivamente, do radical desporto do levantamento do copo, lançamento da pica, equilibrismo em stilettos e caça ao comando da televisão, num fim-de-semana radical!

Adivinharam! Convenceram-me a ir numa noite de muita vodka, mojitos e caipiroskas... E, ainda bem que o fizeram! ADOREI!!!

Estou toda partidinha. Dói-me o corpinho todo. Completamente estourada. Doem-me músculos que não sabia que tinha e que provavelmente nunca utilizei. Trouxe nódoas negras que tenho a certeza que não tinha. Tenho um dói-dói na mão que deitou muito sangue. Mas, ainda assim, valeu a pena.
Quero voltar! Quando vamos outra vez?

Nós optamos por alugar uma das casas que eles têm para o efeito. Quem preferir poupar uns trocos pode optar por alugar um quarto no dormitório ou acampar.
Mas aviso já que as casas são o máximo, todas em madeira.
A nossa - Casa Lagarto - tinha um quarto na mezzanine. Linda!
Todas têm um barbacue cá fora e mesa, mesmo a convidar a uma churrascada regada a muita receita ou sangria.
Mal chegamos, fui logo atacada por uma borboleta mutante. Só a mim!...

O nosso plano de actividades (a marcação das actividades é feita previamente), consistia em canyonning, slide super-homem, caça ao tesouro nocturna e kayak (canoagem).

De todas, a que eu mais gostei, a causadora deste meu estado, foi o canyonning (nível 2). Nem mesmo o malho que dei durante o rappel me impede de repetir, quando lá voltar. E, de preferência, um de nível 3, com mais rappel, escorregas e saltos de cascatas.
É extremamente cansativo, além da caminhada sinuosa, o fato de neoprene (fica-se cansado só de vestir o fato), ao fim de duas horas, torna-se pesado. Além disso, andamos quase sempre de pernas flectidas, tacteando as rochas. Já para não mencionar ter de rastejar, saltas cascatas (neste caso, pequenas), passar por mini-grutas, etc.
Em compensação desfruta-se de uma paisagem fantástica, única.
É puxado mas vale a pena! Aconselho! E também aconselho que levem luvas. Eles não as fornecem e fazem muita falta. E, já agora, uma máquina fotográfica à prova de água, descartável.

O slide super-homem foi porreiro mas sabe a pouco.
O que custa mais é a espera e a preparação. Estar àquela altura e ficar pendurada por uns simples cabos.
Eu e outra Maria estivemos mesmo para desistir. Principalmente quando o Pepe (o monitor) se sai com "Confiem em mim. Vocês já me conhecem!". Sim, conheciamos há umas três horitas, foi um dos nossos monitores no canyonning. Quando ele se sai com essa, eu, que já nem piava, nem sabia se havia de rir ou chorar.
Ele apertou de tal forma o arnês, para que nos sentissemos seguras, que, no momento da aterragem, devido ao esticão, fiquei com duas nódoas negras enormes nas pernas.
Para a próxima troco o slide pelo pêndulo. Ou não!

Depois do slide super-homem seguiu-se a actividade mais radical de todas: salto ao comprido para a cama. Altura que eu aproveitei para acabar de ler "Ela e as outras mulheres" de Rubem Fonseca. Uma série de contos marados, recheados de violência e sexo, escritos num registo chocante. Fiquei curiosa para ler um romance deste escritor brasileiro.
Depois da siesta, um delicioso jantar preparado pelo chef Tone.
E, posto isto, o quinteto estava pronto para caçar tesouros.

Não aconselho a caça ao tesouro nocturna. Se quiserem fazer a caça ao tesouro façam a diurna.
Ao contrário do que nós, inexperientes, pensamos, a caça ao tesouro nocturna não é mais emocionante. Na verdade, destina-se aos putos porque está confinada ao espaço do Diver.
A caça ao tesouro diurna é realizada fora do Diver e é uma "correria" de 6 Km.

O dia seguinte, último dia, começa com mais um pequeno-almoço maravilhoso (já incluído). Aliás, come-se muito bem lá no Diver.
Já de papo cheio lá seguimos para a barragem, para a última das actividades programadas, a canoagem.

Andar de kayak é sempre porreiro. Eu adoro todos os desportos que envolvam água. Mas aqueles kayaks eram de três. Coordenar três gajas, às 10h da manhã de um Domingo, todas partidas e cheias de sono, não é tarefa fácil. Ao fim de 30 minutos já estava farta de canoagem.

Regressamos ao Diver para almoçar e fazer o check out. No entanto, uma das Marias, a Mariazinha e o Tone, resolvem, à última da hora, experimentar o pêndulo. Haja coragem!

Na hora da despedida, ficou a certeza que hei-de voltar!
Quero experimentar o rafting e talvez o pêndulo. Quero dar passeios de giga e a pé.
Não quero fazer a travessia das pontes (ainda não estou preparada para enfrentar esta minha fobia) nem o paintball.

E, por falar nisso, quando é a próxima???
Aceito inscrições!...
Por mim, ia já no próximo. Matava dois coelhos. É que vão estar cá os aviõeszinhos outra vez!...

Soube tão bem este fim-de-semana. Principalmente para quem ainda não gozou de umas merecidas férias como eu.
O corpo regressou estourado mas a mente está oxigenadíssima.
Foi curioso descobrir que existe uma gaja radical dentro de mim. Inclusive, acho que voltei mais destemida qualquer coisinha. O que é muito bom!...